26/11/2009

Sonho de Consumo


Ah, eu com um cartão desses na mão!

Já fiz até uma lista de compras:
  • 50 cuecas em cores sortidas

  • 75 camisinhas sabor tutifruti

  • 5 cargas de rapadura

  • 35 tapiocas

  • 20 tapiocas com côco

  • 100 Kg de jabá

  • 1 carrada de farinha

  • 1 Fusca 64 motor 1200

  • 5 galões de cachaça da Serra Grande

  • 1 Deputado

  • 10 barras de sabão

  • 1 par de sandália de rabicho

  • 1 casal de jegue

  • 1 ratoeira

Chupado do Blog do Falcão

15/11/2009

A TEORIA DA CEGONHA (REVISADA)

Esse é o problema quando você tem filho... De tempos em tempos recebo uma série de e-mails e piadinhas falando de relacionamento pais e filhos. A maioria deles metidos a engraçadinhos.

Esse foi o último que recebi, com uma atualização da história de como nascem os bebês.

Então, se você tem filho pequeno, assim como eu, esteja preparado para o dia que les perguntarem como nasceram!

- Pai, como é que eu nasci?

- Muito bem, tínhamos de ter essa conversa um dia... O que aconteceu foi o seguinte: eu e sua mãe nos conhecemos e nos encontramos num CHAT desses da WEB, que existem para conversar. O papai marcou um INTERFACE com a mamãe num CYBERCAFE e acabamos PLUGADOS no banheiro dele. A seguir, a mamãe fez uns DOWNLOADS no JOYSTICK do papai e, quando estava tudo pronto para a TRANSFERÊNCIA DE ARQUIVO, descobrimos que não havia qualquer tipo de FIREWALL conosco Como era tarde demais para dar o ESC, papai acabou fazendo o UPLOAD de qualquer jeito com a mamãe e, nove meses depois... Apareceu você: o VÍRUS!'

18/08/2009

Veja 40 produtos, hábitos e serviços que estão morrendo ou já morreram

JR Raphael, PC World/EUA
14-08-2009



São itens que fazem parte da vida diária das pessoas e que, aos poucos, são substituídos por outros. Que também vão perecer.

Quando estiver lendo essa matéria, a internet poderá estar obsoleta. Ok, talvez seja exagero, mas nunca se sabe. Com a veloz evolução da tecnologia, ninguém consegue prever com certeza o que poderá ocorrer em seguida. Porém, o ciclo da vida tecnológica continua: enquanto um novo produto high-tech é lançado, algum outro produto vai sendo eliminado - é a lei da selva.

Algumas vezes a perda é uma boa coisa – afinal, quem ainda gosta de imagens na TV com ruídos? – mas antigamente a despedida trazia sentimentos ruins. Para isso fizemos uma lista com 40 itens, sentre serviços e produtos, que estão rapidamente se aproximando da extinção. Alguns inclusive já nem existem mais.

1. Jogar videogame em um Fliperama

Uma das atividades favoritas dos geeks espalhados pelo mundo era jogar fliperama, que começou a decair em meados da década de 1990.

Algumas máquinas de fliperama sobreviveram, mas as antigas competições e a intensa busca por esses jogos já não existem mais.

E é fácil entender o porquê: o avanço dos sistemas de jogos permitiu que você vivesse a mesma ação do fliperama em casa.

2. Capacidade do disco rígido
Com drives com espaço de armazenamento atingindo os terabytes, ter um dispositivo desse que excede suas necessidades não é tão absurdo de se ver hoje em dia. Mas lembram quando um drive de 80MB era um dispositivo de luxo e o drive de 1GB era extremamente espaçoso?

3. Ouvir o sinal de ocupado
Graças aos avanços na tecnologia de correio de voz e chamadas em espera, raramente você escuta esse irritante som.

4. Ir a encontros ‘às escuras’
Serviços como Google, sites de encontros e redes sociais tornaram mais fácil conhecer virtualmente uma pessoa antes de decidir encontrá-la na vida real. Muitos, inclusive, se relacionam melhor no mundo virtual.

5. Ter 18 anos para acessar conteúdo impróprio
Pode parecer insano, mas antigamente um jovem precisava ter 18 anos para colocar as mãos em materiais de cunho sexual – era isso ou então ter algum irmão mais velho que ajudasse. Ou um amigo com um irmão mais velho. Ou até mesmo um pai que guardasse não muito bem sua coleção de revistas. Hoje em dia basta apenas ter acesso a internet e pronto, qualquer um pode ver e assistir o que quiser. Não que isso seja uma coisa boa, é bom que se diga.

6. Bate-papo com o SysOp

O SysOp – acrônimo em inglês para operador do sistema – uma figura de poder que começou na década de 1970 e continuou até meados da década de 1990.

Como criador e influente do sistema de computação BBS (do inglês Bulletin Board System), o SysOp formou uma geração de usuários que iniciou a era eletrônica de sistemas de comunicação pré-internet. Era possível conversar com visitantes, manter o sistema rodando corretamente e ocasionalmente desconectar alguém que está conectado há certo tempo, ou fazendo algo que não deveria.

7. Pagar por chamadas de longa distância
Antigamente as tarifas por minuto para chamadas de longa distância eram extremamente abusivas. Hoje, a telefonia fixa está bem mais barata (local e de longa distância) e ainda existe a opão do telefone celular, com a cobertura nacional das operadoras e, claro, as chamadas de voz pelo computador, pelo qual não se paga nada.

8. Recepção de sinal de TV com ruídos
O sinal da TV digital no Brasil ainda não chega a todos os lugares. Mas para aqueles já contemplados pela cobertura e que possuem um decodificador (set-top-box), a qualidade da imagem captada não deixa saudade alguma do tempo em que se colocava esponja de aço na antena interna para melhor o sinal da TV.

9. O som de uma conexão moderna
Quem nunca precisou abafar o som que os modem de 56 kbps faziam para se conectar com o provedor sem que alguém soubesse? Ou simplesmente se irritava com a barulhenta conexão? Ainda bem que esses são tempos idos, pelo menos para muitos usuários que não usam mais linha discada.

10. Fotografar com Polaroids
A Polaroid planeja encerrar as vendas de seus filmes instantâneos até o final deste ano. Essa será um perda dolorosa, sem dúvidas. Era divertido ver a imagem surgir em frente aos seus olhos. E desaparecer com o passar dos anos, para desespero de todo mundo já que não havia negativo para imprimir novamente.

11. Aguardar para revelar as fotos
Embora as câmeras analógicas ainda não tenham desaparecido, as vantagens das imagens digitais – entre tantas, a possibilidade de ver na hora a foto feita e até descartá-la se não gostar, sem custo extra – certamente fizeram com que diminuísse o interesse pelas câmeras tradicionais.

12. Datilografar em máquina de escrever
A palavra datilografar por si só já perdeu espaço para a digitação. Embora os saudosistas lembrem com certa felicidade do som das teclas das máquinas de escrever, hoje em dia alguns jovens nem sabem o que foi essa máquina. Mas algumas ainda estão em atividade em departamentos do governo que se recusam a evoluir tecnologicamente (delegacias, cartórios, só para citar alguns).

13. Remover papel de impressoras matriciais

Nascida em 1970, as impressoras matriciais entregaram impressões de baixa qualidade por quase duas décadas, até que a tecnologia a jato de tinta oferecesse uma alternativa visual melhor.

Essas impressoras matriciais serão sempre lembradas por serem barulhentas, por ‘engolirem’ os papéis e por serem lentas. Além, claro, da necessidade de alinhar corretamente o papel e depois ter que destacar as tiras nas laterais do mesmo.

14. Conhecer todos os canais da TV
Você tem 55 canais e nada de interessante? E que tal então 557 canais (e ainda sem nada interessante para ver)? Melhor então continuar com apenas a TV aberta e seus canais já mais que decorados. E não de pagar por eles.

15. Verificar a secretária eletrônica
Ainda é um dispositivo que alguns usam, mas somente quando a mesma já acompanha o telefone. Ou então usam a caixa postal da operadora de telefonia fixa ou móvel, que pode ser verificada de qualquer lugar, sem precisa chegar em casa para saber quem ligou. Mas um equipamento dedicado só para isso...

16. Ter privacidade
A constante monitoração do Google, as muitas formas de rastrear alguém via GPS e as redes sociais já estão mais do que presente em nossas vidas. E a privacidade tornou-se uma commodity rara e preciosa dentro do mundo 2.0.

17. Mixar uma fita cassete para presentear alguém

Sites como o Muxtape.com e o Songza podem atender essa demanda, mas a arte de elaborar uma fita cassete personalizada parece que não existe mais faz tempo.

É uma pena, pois nunca deixou de ser um presente criativo.

18. Usar relógico com calculadora
Considerado o relógio dos nerds, muitos queriam ter um para usar nas provas da escola. Sem dúvida um acessório interessante e bastante nostálgico.

19. Anúncios (quase semprede cunho sexual) em jornais e orelhões
Esses números podem ainda existir, mas o sexo virtual e os serviços (como mensagens, imagens e vídeos) para celular tomaram seu lugar no mundo 2.0.

20. Usar telefone público
Em um país onde existem 160 milhões de celulares em circulação, é de se compreender que pouca gente ainda use o famigerado orelhão. Ele ainda é útil, mas cada vez mais perde espaço.

21. Discar em um telefone com disco giratório
A facilidade de discar em um teclado com botões fez os telefones com disco (daí o verbo 'discar') giratório desaparecerem, embora ainda possam ser encontrados como artigo raro ou até mesmo como um produto novo, nessa onda de lançamentos retrô. Ou usados como plug-ins em alguns celulares.

22. Armazenar dados em disquete

Um disco com capacidade de 1.44MB? Hoje em dia poderia ser piada, mas os disquetes foram durante muito tempo a melhor opção de armazenagem.

Atualmente pouquíssimos PCs estão saindo de fábrica com drive para disquete, como resultado a era do prompt A:\ está quase no fim.

23. Iniciar via comando C:\ Prompt
As primeiras gerações dos computadores iniciavam através de comandos digitados no DOS. Quem lembra, até sente falta. Quem tinha o Windows 3.1 (bem mais tarde), deveria digitar "win" e teclar enter...

24. Escrever em um antigo editor de texto
Escrever em uma tela azul com letras brancas não deve soar interessante para ninguém, ainda mais depois que já nos acostumamos com o mundo do Microsoft Office. Esse era o mundo do Wordstar.

25. Ter um telefone móvel anexado ao carro
Um hábito muito comum nos Estados Unidos (e entre a elite no Brasil) era ter um telefone móvel (na época os celulares ainda eram grandes e pesados) dentro do carro. Hoje em dia, o que se vê são cada vez mais pessoas dirigindo com fone de ouvido que se conecta ao celular via Bluetooth. Muito mais prático, não? Prático, mas proibido por lei.

26. Assistir a filmes no videocassete
Quem nunca teve que brigar com o videocassete para ajustar o famigerado tracking para obter uma imagem melhor da fita VHS? Há quem ainda resista a esse antigo formato, mas é fato que muito em breve todos já terão digitalizado o conteúdo das fitas VHS para o DVD. Ou Blu-ray.

27. Acender um isqueiro durante um show

Luzes baixas, estádio lotado e sua banda favorita tocando aquela música balada. Sua reação? Ascender um isqueiro e acompanhar a multidão na cantoria.

Mas agora a ‘moda’ é usar o celular para iluminar. Ou então um aplicativo para celular que imita um isqueiro. Pode ser mais seguro, mas não traz a mesma emoção.

28. Assistir a um filme em LD (Laser Disc)
A prova de que quase ninguém assistia a filmes em laser discs é que hoje existem 5282 entradas de posts no eBay de pessoas tentando vender seus LDs. Fato é que esta tecnologia está completamente obsoleta.

29. Seguir a gramática e a pontuação
As redes sociais e os mensageiros instantâneos modificaram a forma como escrevemos. Mesmo e-mails estão sofrendo desse mal, das abreviações e criações de novas gírias. O Professor Pasquale deve estar chorando a uma altura dessas, naum eh miguxu? \o/

30. Carros novos com acendedor de cigarro
Acendedores de cigarros embutidos no carro estão perdendo espaço entre os fabricantes de automóveis. Na verdade, a maioria dos carros novos está saindo de fábrica sem o acessório (acendedor propriamente dito), dedicando o espaço para os carregadores de celular.

31. Trocar uma lâmpada incandescente
Cada vez mais e mais nações estão se despedindo das tradicionais lâmpadas incandescentes (para quem não sabe o que é, pense na imagem que representa uma ideia...) e encorajando seus cidadãos a usar fontes de luz mais ecologicamente corretas, como as lâmpadas fluorescentes que chegam a durar até 10 vezes mais.

32. Usar um monitor de tubo
O mesmo acontece com os televisores. Quem ainda não tem um monitor de plasma ou LCD, provavelmente está desesperado para comprar um. Os modelos de tubo não farão falta quando sumirem de vez.

33. Escutar música em um walkman
A maior dificuldade era encontrar aquela música favorita entre tantas, apenas rebobinando e avançando a fita. Você pode tentar rebobinar a fita cassete, mas o tempo de vida delas está cada vez mais com os dias contados. E para economizar a pilha, rebobinava a fita usando uma caneta.

34. Visitar uma loja de música para comprar CDs
Lojas de música estão cada vez mais difíceis de encontrar. Esperamos que as que estão por aí aguentem firme. Perdê-las poderá deixar um vazio cultural enorme e que o iTunes não está preparado para preencher.

35. Receber um CD da AOL ou de outros provedores na correspondência

Já parou para pensar em quantos CDs já recebeu em sua casa oferecendo pro vedores de acesso? E você não está sozinho.

Mas essa pergunta parece não ter resposta, visto que a ação de marketing, especialmente da AOL, parecia não ter fim.

O problema foi encontrar solução para livrar-se daquele ‘lixo’ todo. (Dica: você pode criar uma cortina de CDs ou até mesmo fazer de porta-copo.)

36. Procurar um telefone na agenda de papel
Ainda é possível encontrá-las, mas definitivamente elas já tiveram seus dias de glória. A influência da web, de serviços de busca de telefone pelas operadoras de telefonia fixa e serviços online das operadoras de celular para armazenar os contatos do chip GSM, facilitaram ainda mais a vida do usuário. Além disso, é ecologicamente correto não usar mais agenda de papel.

37. Usar papel carbono para fazer cópias
Muitos daqueles que já passaram dos 40 anos de idade devem ter usado o papelo carbono para fazer cópias de trabalhos escolares, como mapas, por exemplo. O uso deste processo atualmente está restrito a quem emite notas fiscais manualmente, já que os impressores fiscais utilizam papeis NCR (no carbon required).

38. Enviar documentos por Fax
Por que fax, se você pode enviar como anexo? Especialmente agora que a maioria dos documentos é criado em computador, o facsimile muito em breve será abandonado pelas empresas (as únicas que ainda apoiam seu uso), usado para envio de comprovantes ou documentos feitos a mão.

39. Volume alto no seu micro-system

Seu iPod pode parecer legal, mas você consegue carregá-lo sobre os ombros e escutar música bem alto? O micro-system portátil teve seu auge na década de 1980, juntamente com cabelos compridos, jeans de cor lavada e coreografias de dança no mínimo estranhas.

E embora ainda existam versões mais atuais desses aparelhos, dificilmente você irá encontrar quem carregue um desse de um lado para o outro para ouvir música.

40. Dar atenção total a alguém durante uma conversa
Ah, conversar sem mensagens de textos simultâneas, recados no Orkut ou tweets é algo tão 2008.

13/08/2009

Morre Les Paul aos 94 anos



LOS ANGELES (Reuters) - O lendário guitarrista e inventor Les Paul, precursor das guitarras elétricas que levam seu nome, morreu na quinta-feira num hospital de Nova York, vítima de pneumonia, aos 94 anos.



Ainda há poucos meses esse ícone do rock se apresentava regularmente numa boate de Nova York, mas ultimamente "entrava e saía do hospital", segundo seu advogado Michael Braunstein. "Ele foi uma pessoa histórica. Certamente deixou sua marca aqui na Terra e tinha muitíssimos amigos."


Paul e sua esposa, Mary Ford, emplacaram vários hits nas décadas de 1940 e 50, como "Mockin' Bird Hill" e "How High the Moon", que já apresentava algumas inovações fonográficas de Paul, como as faixas em múltiplas camadas.


Em 1941, Paul criou uma das primeiras guitarras elétricas de corpo sólido, mas levou quase dez anos para aperfeiçoá-la, como funcionário da Gibson Guitar Corp.. Lançada em 1952, a Les Paul Goldtop se tornou uma sensação instantânea e ainda influencia a música, especialmente o rock.


Nos anos seguintes, a Gibson lançou, também de Paul, a Black Beauty, a Les Paul Custom, a Les Paul Junior e, em 1958, a Les Paul Standard, com seu captador "humbucker" e o design "sunburst", que continuam iguais há quase 50 anos.


O guitarrista norte-americano Joe Satriani disse que Paul foi "o 'guitar hero' original, e a mais gentil das almas". Slash, ex-Guns N'Roses, afirmou que Paul era seu amigo e mentor, "um dos seres humanos mais estelares que já conheci".


TRAJETÓRIA


Nascido Lester William Polsfuss, em Waukesha, Wisconsin, Paul começou a tocar em bares e "music-halls" a partir dos 13 anos. Deixou a escola aos 17, para tocar numa banda de Saint Louis, Missouri.


No final da década de 1930, formou seu primeiro trio, se mudou para Nova York e virou astro nacional do rádio.


No começo dos anos 40, começou a se aventurar na eletrônica e na amplificação, porque não gostava do timbre e da reverberação dos violões com corpo oco.


"O que eu queria era amplificar a vibração pura da corda, sem a ressonância da madeira se envolvendo no som", disse Paul certa vez, segundo nota divulgada pela Gibson. Ele também foi responsável por mudanças nas técnicas de gravação.


Em suas experiências, levou um choque que quase o matou. Em 1948, um acidente de carro esmagou parte do seu braço direito, mas ele pediu aos médicos que fizessem o gesso numa posição que lhe permitisse continuar tocando.


Com a popularização do rock, no final da década de 1950, a carreira fonográfica dele e de Mary Ford começou a decair, e um programa de TV mantido por eles durante sete anos foi tirado do ar em 1960. O casal se divorciou em 1964.


Em 1977, ele e o guitarrista Chet Atkins lançaram um disco premiado com o Grammy, prêmio que ele voltaria a receber em 2005 por um álbum com convidados ilustres, como Buddy Guy, Eric Clapton e Keith Richards.


Paul é a única pessoa a ter sido incluída nos Halls da Fama do Grammy, do Rock, dos Inventores dos EUA e dos Artistas de TV dos EUA. Deixa quatro filhos, cinco netos e cinco bisnetos. O enterro será em Nova York.

07/04/2009

10 coisas que você precisa saber antes do show do Kiss


03.04.09 08:04 pm

Depois de um hiato de 10 anos, a renomada banda norte-americana volta a se apresentar em terras brasileiras. Dessa vez, o Kiss passa por São Paulo no dia 7 e, no Rio de Janeiro, em 8 de abril.

1. Que Gene Simmons é judeu, todo mundo está careca de saber. Mas nem todo mundo sabe que Eugene Klein (seu nome verdadeiro após se mudar para os EUA) nasceu em Haifa, Israel, em 1949, foi batizado Chaim Witzem, e se mudou para Nova York aos 8 anos com sua mãe, Florence Klein, e seu tio Larry Klein, os únicos membros de sua família que sobreviveram ao holocausto. Seu pai, Feri Witz, não os acompanhou na mudança.

2. Todo o perrengue que Gene passou na infância, com sua mãe trabalhando em dois empregos, despertou a ambição para se dar bem na vida.

3. Quando ainda tocava com as bandas Lynx, The Missing Links e The Long Island Sounds, na fase pré-Kiss, Gene fazia vários bicos como vender fanzines e troca de revistinhas usadas.

4. O nome de batismo de Paul Stanley era Stanley Eisen. Ele nasceu com microtia, uma má formação congênita da orelha, o que o encorajou na vida adulta a se tornar o embaixador da AboutFace, uma organização de caridade em prol das pessoas com defeitos faciais.

5. Mas os problemas médicos de Paul não param por aí. Ele sofre de uma degeneração dos quadris, tendo sofrido duas cirurgias de reparo, uma delas em outubro de 2004, após a "Rock Nation Tour", e a outra em dezembro de 2004, em decorrência de complicações da primeira. Ele ainda corre risco de ter que fazer uma terceira.

6. Peter Cris, apesar de não fazer mais parte do Kiss, é considerado pelos fãs o verdadeiro baterista da banda. Nascido George Peter John Criscuola, é o mais velho dos cinco filhos de Joseph e Loretta Criscuola. Quando jovem, era aficionado por jazz.

7. Ace Frehley também não se encontra mais entre os membros atuais do Kiss, mas também é considerado o verdadeiro guitarrista da banda. Descendente de holandeses e alemães, Ace era o caçula de três filhos de Carl Daniel Frehley e Esther Anna Hecht. Quando jovem, Ace fazia parte de uma gangue de rua de Nova York, chamada The Duckies, e começou a tocar guitarra aos 13 anos.

8. Erick Singer assumiu as baquetas no lugar de Peter Cris e já se apresentou ao lado de grandes nomes do rock como Alice Cooper. Nos últimos 20 anos ele tocou bateria em mais de 50 álbuns.
9. Tommy Thayer assumiu a guitarra solo do Kiss após Ace Frehley debandar. Foi descoberto pelo próprio Kiss ao fazer parte de uma banda tributo, chamada Cold Gin. Foi copiando que conseguiu fazer parte do original. Começou debaixo, como assistente de Gene Simmons, fazendo café e levando as roupas pra lavanderia, e acabou como guitarrista.
10. Existe um mito aqui no Brasil que afirma que o Kiss se inspirou nos Secos & Molhados para compor seu visual de maquiagens. Na verdade, isso foi uma lenda criada por Ney Matogrosso em uma entrevista, pois na época (1973) que o cantor brasileiro alega que o Kiss viu a foto dos Secos & Molhados publicada na revista norte-americana Billboard, o Kiss já experimentava com maquiagem desde 1972.

01/04/2009

Dez manchetes que gostaríamos que fossem verdades

Por Redação Yahoo! Brasil

Neste 1º de abril, o Yahoo! Brasil preparou uma brincadeira listando algumas mentiras que, se acontecessem na vida real, tornariam o mundo bem mais feliz e melhor de se morar. Dê uma olhada na lista e imagine, por alguns segundos, como seria lindo viver em um mundo ideal, caso as notícias abaixo fossem verdades.

1) Castelo de deputado é doado para o movimento dos sem-teto

Edmar Moreira (sem-partido-MG) ficou conhecido por ter construído um castelo no interior de Minas Gerais avaliado em R$ 25 milhões. O prédio de 36 suítes - das quais uma delas, com 110 m², ocupa três andares de uma torre - possui piscinas, lago, jardins, dois elevadores, adega para 8 mil garrafas e mármore em várias peças, inclusive nos banheiros e na sauna. O político é acusado ainda de não ter declarado o imóvel no Imposto de Renda. Agora o Superior Tribunal de Justiça ordenou que o castelo seja repartido entre famílias do movimento dos sem-teto. Estima-se que o castelo possa abrigar cerca de 200 pessoas.

2) Onda de consciência faz paulistanos trocarem carros por bicicletas

Mais uma campanha do governo e da iniciativa privada deu certo. A população da maior metrópole do país começou a deixar seus carros em casa e aderiu à bicicleta como principal meio de locomoção, saindo sobre duas rodas pelos mais de 200 quilômetros de ciclovias construídas em São Paulo. Já foram instalados também suportes para bikes nos ônibus e bicicletários em todas as estações de trem e metrô, além da redução de estacionamentos para carros em shoppings, bares e restaurantes. As vagas foram divididas e onde um carro parava, 3 bicicletas podem estacionar. Prova de que a ação está dando resultados foi a última sexta-feira, no horário de pico, que o congestionamento em São Paulo não passou de 20 quilômetros. Para apoiar essa ação, os fabricantes das magrelas reduziram os preços graças a incentivos fiscais. Além disso, os novos meios de locomoção adotados pelos moradores de São Paulo ganharão novos modelos. Sairão da fábrica com pisca alerta, seta, farol e até uma buzina mais potente. O governo promete mais: em menos de dois anos, as principais rodovias do Estado serão tomadas por ciclovias na proporção de uma pista de carros para quatro pistas de bicicletas. E as bikes não melhoram apenas o trânsito, mas a poluição também. Ao contrário dos carros, responsáveis por 40% da poluição nas grandes cidades, as bicicletas não poluem. Com isso, o índice de poluição emitido por automóveis deve cair até 30%. E para incentivar aqueles que não largam o seu automóvel de jeito nenhum, será cobrado uma taxa diária de 8 reais ou 240 reais mensais para quem insistir em andar de carro em algumas vias da capital.

3) Governo abre curso de qualificação para traficantes desempregados

Após o grande incêndio que arruinou mais de 80% das plantações de cocaína e maconha na América do Sul, idealizado e executado por uma frente latino-americana pró-imperialismo, o mercado brasileiro do tráfico de drogas não resistiu a estiagem de matéria-prima para o refinamento e distribuição de entorpecentes. Consequentemente, surgiram milhares de desempregados do tráfico. Por isso, o governo brasileiro, em conjunto com centrais sindicais, criou um programa nacional de qualificação profissional para os ex-traficantes e ex-assistentes também. Dentre os cursos mais procurados, estão os de Segurança (45%) e Jardinagem (20%). Como pré-requisito para participar, os interessados têm que entregar todas as suas armas, além de assinarem um termo em que se comprometem a trabalhar como voluntários nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

4) Palestina e Israel dão lugar à República Judaico-Islâmica de Jerusalém

Depois de anos de ações militares e atentados sangrentos, palestinos e israelenses finalmente dar um aperto de mão definitivo pela paz. Com a mediação da União Européia, dos Estados Unidos e brilhante atuação diplomática do Brasil, que finalmente conseguiu um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, foi fundada oficialmente a República Judaico-Islâmica de Jerusalém. O mais novo Estado do mundo será binacional, com representantes palestinos e israelenses nos três poderes. A capital será em Jerusalém e o país será administrado por dois primeiros-ministros, um palestino e um israelense. As línguas oficiais do país serão o árabe e o hebraico. Movimentos radicais de ambos os lados resolveram encerrar suas atividades em nome da coexistência pacífica. O Muro da Cisjordânia foi demolido e apenas um trecho foi mantido com grafites pela paz, em uma galeria a céu aberto, como aconteceu com o Muro de Berlim. Os antigos assentamentos israelenses agora estarão disponíveis para que os palestinos possam adquirir as casas. A Universidade da Tolerância será erguida na Faixa de Gaza, totalmente reconstruída. Milhares de palestinos e israelenses passaram a madrugada comemorando nas ruas das principais cidades da região.

5) Uso do gerundismo agora terá multa

Depois da nova regra ortográfica, a língua portuguesa também vai ganhar uma reforma linguística. Com a ajuda de estudiosos e da Academia Brasileira de Letras, o projeto que proíbe o uso incorreto do gerúndio foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, 1º de abril. A partir de agora, qualquer atendente de telemarketing ou serviço ao cliente está proibido de aplicar o gerundismo durante a comunicação. Ninguém mais vai "poder estar verificando" seu pedido com a pena de ser multado. O cliente que tiver seus ouvidos lesados pelo mau uso da língua, deverá denunciar a empresa, que pode ser multada em até R$ 5 mil. Para não correr o risco, muitas empresas já têm contratado professores de português para ensinar os funcionários a trocar o "vou estar fazendo" pelo bom e velho "vou fazer" ou "farei".

6) Ricardo Teixeira anuncia saída e convoca eleições na CBF

O homem forte do futebol brasileiro enfim resolveu largar o osso: Ricardo Teixeira anuncia sua saída do comando da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e anuncia eleições na entidade para breve. "Penso que está na hora do futebol brasileiro se renovar e sair das mãos das mesmas três ou quatro pessoas. A Seleção Brasileira agora é assunto ", disse o presidente, em inacreditável mea-culpa. O momento de transição no comando da entidade envolve mudanças no regimento, que permitem um mandatário se reeleger apenas uma vez. O mesmo deve valer para todas as federações estaduais do país.

7) Internet sem fio grátis é implementada em todo o território nacional

Agora sim o Brasil já pode ser apontado como um país que está 'na crista da onda' da internet. O governo federal deu início hoje à maior e mais rápida rede sem fio (wireless) nacional gratuita do mundo, que cobre 98% do seu território. Boa parte da verba para custear o projeto veio do ISEL (Imposto Sobre Excesso de Lucro), implantado pelo governo federal no ano passado, que é pago pelas empresas privadas que ultrapassam a barreira dos 10% de lucro anual. Segundo previsão do Ministério da Tecnologia, o brasileiro deve ter à disposição uma velocidade média de transmissão de dados de 10 megabytes por segundo por ponto de conexão.

8) Estados Unidos e China cortam pela metade emissão de gases poluentes

No esforço mundial para diminuir as consequências do aquecimento global, China e Estados Unidos tomaram uma resolução histórica. O presidente Barack Obama e o líder chinês Hu Jintao decidiram, no que ficou conhecido como 'Acordos de Londres', cortar pela metade a emissão de gases poluentes. Os dois países irão diminuir drasticamente o uso de combustíveis fósseis em automóveis, aumentando a frota de carros com biocombustíveis. As indústrias da China e dos EUA serão taxadas para utilizar energia limpa em seus parques produtivos. Os empréstimos para empresas e produtores agrícolas dos dois países estarão vinculados aos certificados de créditos de carbono, ou seja, quem emitir menos gases poluentes terá maior linha de crédito. Em tempos de crise, uma solução ideal para diminuir a poluição e salvar a economia.

9) Lançado I Aberto Rio-São Paulo de natação urbana

A despoluição das águas brasileiras é o principal mote da realização do I Torneio Rio-São Paulo de Natação Urbana, evento inimaginável há alguns meses, visto a poluição até então existente nos rios e litorais brasileiros. As primeiras etapas da modalidade serão realizadas nos rios Tietê e Pinheiros, em São Paulo, e na Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Estão confirmados participantes como Gustavo Borges, Fernando Scherer, Tiago Pereira e até mesmo Rubens Barrichello, que decidiu largar de vez a Fórmula 1 após a polêmica dos difusores para se arriscar na nova modalidade. O ex-piloto liderou os testes realizados na manhã desta quarta-feira, no Rio Tietê. Michael Phelps aceitou ser o presidente da organização do torneio e revelou estar empenhado para combater o uso de qualquer substância tóxica pelos atletas e pelos espectadores presentes nos eventos.

10) Deputados e senadores serão obrigados a trabalhar 5 dias por semana

Pressionados pelo movimento "Arregaça a Manga Brasil", um decreto de lei foi aprovado obrigando os membros dos 3 poderes a trabalharem como funcionários de empresas privadas. Haverá um crachá eletrônico que controlará entrada e saída de cada parlamentar, tanto no Congresso como no Senado e cada cidadão poderá conferir na internet como está a frequencia de cada um deles. Aquele deputado ou senador que tiver mais de quatro ausências no mês, sem justificativa, será automaticamente desligado e substituido por seu respectivo suplente.

Atenção: este artigo é puramente ficção, em homenagem ao dia de hoje, 1º de abril, em que comemoramos o Dia Mundial da Mentira. Os fatos descritos acima não aconteceram.

28/03/2009

Led Zepellin: ex-ministra dos EUA declara amor pela banda

Condoleezza Rice, ex-Secretária de Estado Americano, concedeu uma entrevista no último dia 24 de março ao programa "The Tonight Show", apresentado pelo irreverente Jay Leno, e disse que o Led Zeppelin é sua banda favorita e que os ouve enquanto se exercita: "Nessa hora eu posso realmente estar com o LED ZEPPELIN", declarou.


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Não é assim que se escreve o nome da banda


Uma emissora de TV do Distrito Federal publicou uma matéria online quando da passagem do Iron Maiden por Brasília.


Entretanto, eles cometeram um pequeno errinho no nome conforme pode ser visto neste link (imagem reproduzida ao lado).


(Agradecimentos: Marco Machado)

10/03/2009

Viva dom Helder, o bispo das putas!

A beleza da exceção ou saudades de dom Helder
Por Anna Maria Ribeiro

Não consigo fugir da duplicidade do título. Atribuí um, depois outro, e percebi que o certo seria valer-me dos dois.

Nestes últimos dias em que vi excomungada uma equipe médica que cumpriu com seu dever e, com a Lei, me dei conta de que para a religião católica não existe a possibilidade de exceção.

Pouco sei sobre as outras religiões para generalizar a descoberta atribuindo a todas elas este estranho fenômeno. Fenômeno, sim. E dos maiores. Exceção existe em tudo e em todos. Mesmo no Dura Lex, Sede Lex as exceções ocorrem. Caso não ocorressem, desnecessários seriam os magistrados que a interpretam aplicando-a com bom senso e inteligência, adaptando-a às circunstâncias, cada situação que nela se enquadre.

Exceções existem de montão na natureza e no ser humano, ambos criados por Deus, segundo a Igreja. Não admiti-la é absurdo e desumano, como no caso da menina de nove anos estuprada pelo padrasto. Não discuto a posição oficial da Igreja contra o aborto. É lá uma Lei dela e deve ter sua razão de ser. Mas esta Lei não admite exceções? Nenhuma? Isto me parece burrice.

Mais do que isto parece uma incoerência. Por que o não matarás dos 10 Mandamentos (de onde, me parece, se origina a proibição do aborto) não é aplicado durante guerras que eliminam milhões de soldados e não participantes inocentes? Por que não são excomungados os que as promovem ou os que delas participam? É uma exceção ou não é?

O desumano pronunciamento do Arcebispo de Recife é um tanto sem pé nem cabeça, não é não?E ai vocês devem estar se perguntando: onde entra D. Helder nesta história?

Além da coincidência de ter sido, também ele, Arcebispo de Olinda e Recife, foi uma das pessoas mais humanas que conheci. Muito amigo de meu pai tive o privilégio de conversar com ele muitas vezes. Fui educada na religião católica, mas não me tornei uma. Não cabe aqui comentar por que deixei de sê-lo. Mas me encantava ouvir D. Helder falar.

A religião católica, a dele, era verdadeiramente a do perdão, a da compreensão, a da aceitação, a da compaixão, a da caridade, nas acepções mais bonitas que possam ter estas palavras. Humano ele era e porque tão humano tinha algo de divino.

Lembro-me da última vez que o visitei em Recife, como sempre o fazia quando lá ia a trabalho. O cafezinho, naquela casinha nos fundos da Igreja das Fronteiras, era de lei. Pouco tempo depois ele morreu e me fez falta. Faz muita falta a este País, como vejo agora.

Desta última vez que o vi contou-me uma história deliciosa que com ele havia ocorrido nos anos de chumbo. Lembro-me de que ri muito e só depois percebi que o riso fácil era uma conseqüência menor do ocorrido. A história é tão linda que nem sei! Não faz rir, não. Faz pensar o quanto havia de grande e humano naquele homem frágil, de voz tão mansa.

Mas vamos ao relato e vocês julgam: naquela época tão sofrida dos anos que se seguiram a 1969, D. Helder era uma figura preocupante.

Como enfrentá-lo?

Confinando-o à sua Arquidiocese a “gloriosa” tinha a maior dificuldade em fazê-lo calar-se. Os olhos do mundo estavam sobre ele e uma repressão maior que o confinamento teria conseqüências funestas para o Governo.

Havia um pavor de que qualquer agressão a ele dirigida pudesse ser atribuída à truculência da revolução. E esta delirava temendo que um atentado “terrorista” fosse engendrado para incriminá-la.Da mesma forma, os admiradores D. Helder temiam por alguma agressão desta mesma revolução. Isto fazia com que qualquer deslocamento do Arcebispo fosse acompanhado por carros das duas facções visando garantir e proteger sua integridade física.

Isto incomodava D. Helder que adorava andar a pé pelas ruas do Recife e gostava de fazê-lo com liberdade. Naquela mesma época o Prefeito de Recife resolveu, a bem da ordem e dos bons costumes, banir da cidade as prostitutas, transferindo-as para uma periferia longínqua.
Apavoradas com a possível redução da clientela que lhes garantia o sustento, foram procurar D. Helder para que intercedesse a seu favor. O que ele prontamente fez conseguindo que fosse sustada a medida convencido de que “esconder o sofá” não resolveria o problema social.

Pois bem, num de seus passeios a pé, D. Helder desesperado com a perseguição dos dois carros, deu uma de esperto. Enveredou-se por uma ruela à qual os carros não poderiam ter acesso. Só depois de andar alguns metros é que se deu conta de que estava em pleno baixo meretrício.

Prostitutas em portas, janelas e sacadas, quase nuas, ajoelhavam-se à sua passagem pedindo a benção que ele foi ministrando à direita e à esquerda, apertando o passo para dali sair o mais rápido possível antes que algum repórter surgindo do nada registrasse o inusitado episódio que faria a festa de jornais do mundo inteiro.

Já quase no fim da rua, de uma das sacadas veio o grito entusiasmado e comovido: Viva D. Helder, o bispo das Putas! E a rua explode em palmas e vivas. Sorrindo ele se foi. E sorrindo me contou a história.

Bonito, não?

É o que faria Cristo, acho, na mesma situação.

Mas certamente não é o que faria o atual Arcebispo.

Mas certamente isto se deve ao fato dele não conhecer o Filho de Deus tão intimamente quanto D. Helder conhecia.

E, porque não conhece não aprendeu que considerar que as exceções, e tratá-las como tal, é um ato humano, bonito, inteligente e, sobretudo, cristão.

06/03/2009

Guerra é guerra!

Ronaldo Correia de Brito
Do Recife (PE)

No tempo do saudoso jornal carioca O Pasquim, quando era questão de honra para o cara ser válido, lúcido e inserido no contexto andar com o jornalzinho (me perdoe, turma, pelo diminutivo) debaixo do braço, se o jornaleco (outra com que se autodenominavam) estava em baixa, vendendo pouco, tacavam uma briguinha entre paulistas e cariocas, disputas que nunca deram em tapas, mas ajudavam a incrementar as tiragens.

Pensei por esses dias de quarta-feira de cinzas, sem nenhuma ressaca, que já está no tempo de Pernambuco e Bahia, ou se preferirem Recife e Salvador, oficializarem sua disputa pelo título de melhor carnaval brasileiro. Eu, claro, torço pelo Recife. E lá vai a primeira de Antonio Maria:

Sou do Recife com orgulho e com saudade
Sou do Recife com vontade de chorar
O rio passa levando barcaças pro auto do mar
Em mim não passa essa vontade de chorar...

Seria uma guerrinha dionisíaca, de confetes e serpentinas, sem mortos nem feridos, nada semelhante à Revolução de 1817, feita pelos pernambucanos na companhia da gente da Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas, em que os baianos entraram de traidores e meteram chumbo nos revolucionários. Seria guerra mais para marcha junino/carnavalesca de Morais Moreira:

... bombas
na guerra magia
ninguém matava, ninguém morria
nas trincheiras da alegria o que explodia era o amor...

A Praça Castro Alves pode até ser do povo, como afirmou Caetano Veloso, mas do povo mesmo é o carnaval do Recife, onde ninguém paga ingresso para brincar. E como se brinca desde a virada do ano! Da zona da Mata Norte, chegam os insurgentes caboclos de lança dos maracatus rurais. As lanças cobertas de fitas se elevam no meio dos canaviais como o pendão das canas, brincantes ressuscitados que as moendas dos engenhos e usinas não conseguiram triturar. E os mestres puxam as loas e os chocalhos badalam, badalam, badalam...

É da estrela da tarde
Meu maracatu guerreiro
É da noite é do dia
É do povo brasileiro.

E mais adiante, bem mais adiante, o batuque virado das nações dos maracatus negros, e um pouquinho depois deles Chico Science e a Nação Zumbi da lama ao caos. Multicultural e sem dono, anônimo e com títulos, coletivo e pessoal, caboclinhos, tribos, clubes, blocos, troças, la ursa, bois, burrinhas, escolas de samba, afoxés, o diabo a quatro e os bêbados que nunca conseguem fazer um quatro aí que eu quero ver, é o carnaval do Recife, de Pernambuco nação cultural, terra onde dois rios, o Capibaribe e Beberibe se juntaram para formar o Oceano Atlântico. Acham pouco? Eu acho é pouco! O nome de mais um de mil blocos.

Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos?
Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos
Apôs-funDos carnavais saudosos...

E nas altas madrugadas da quarta-feira de cinzas, quando alguns brincantes entoam as marchas de Nelson Ferreira, Edgar Morais e Getúlio Cavalcanti, em pontos diversos da cidade ainda se brinca de ser diverso. E enquanto não sai O Bacalhau do Batata, lá no Alto da Sé de Olinda, na Praça do Marco Zero as orquestras e os coros teimam em afirmar que:

É lindo ver o dia amanhecerCom violões e pastorinhas milDizendo vem que o Recife temO carnaval melhor do meu Brasil.

Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca e Livro dos Homens.

28/02/2009

Quizumba de Banzé


Prosseguindo no maravilhoso carnaval multicultural, ontem fomos ao bairro do Recife, assitir nosso sobrinho Filipe, que toca alfaia no grupo Quizumba de Banzé.

"O som exalava da Rua da Moeda e tomava toda a atmosfera dos arredores. Nada passava imune aos efeitos do batuque. O carro branco com placa de Minas Gerais, contagiado pelo som que se avolumava com a proximidade, freou lentamente, baixou os vidros das janelas e se permitiu passar bons minutos envolvido na música dos instrumentos. A viatura da polícia que fazia a ronda no bairro do Recife Antigo seguiu o mesmo ritual e só voltou ao trabalho quando os olhares surpresos dos demais espectadores soaram críticos. Turistas orientais de passagem sorriram com os olhos apertados e visivelmente intimidados com tanto movimento. No centro das atenções, alfaias, baquetas, abês, mãos, braços, caras e bocas. Um colorido atipicamente harmônico de sandálias de couro e sapatos fechados, bermudas e camisas sociais amarrotadas, tudo batizado com suor.

"Quizumba de Banzé" ou "mistura festiva", na tradução de vocábulos angolanos para brasileiros. Esse é o nome da união das pessoas que fazem música ecoar nas paredes antigas e peculiares do bairro recifense. Nada mais apropriado. O grupo de percussão é um mosaico de idades, cores e ritmos. É um culto ao maracatu, à manifestação cultural e folclórica pernambucana com temperos africanos, indígenas e europeus. A despeito das origens, encanta a gregos e troianos. Quase tudo é híbrido e rico. De simples e pura, só a alegria estampada nas expressões dos maestros." Fernanda Buril (28/01/08).


24/02/2009

Greantes

Se tivesse combinado, não tinha dado certo.

Ontem, fomos ao Bairro do Recife, ver o carnaval com Sam. Colocamos o carro no estacionamento do Paço Alfândega e quem vimos?? Nosso amigo greante Abu Zadim. Ele, Keilla e Eduardo.

Imagine: nós viemos de Ituiutaba/MG a mais ou menos 2.500 Km e eles de Montreal, no Canadá (nem sei a medida pra saber a distância de lá pra cá) e a gente se encontra no estacionamento do shopping onde cabem mais de 2.000 carros!

Olha a prova aí embaixo:



Voliteeeeeei Recife!!!

Pois é. Chegamos ao Recife. Vamos ficar até o domingo dia 01/03.

De boas vindas, ainda do aeroporto pra casa de Réu, fomos recepcionados com uma "pedrada" no carro. Pense num susto!

Bem-vindos ao Hellcife! Disseram que é uma modalidade antiga de assalto.

Hoje vamos ao Galo da Madrugada, o maior bloco de carnaval do mundo. Abaixo, nós na concentração.


Quando chegarmos, postamos outras fotos (se não roubarem a máquina).

Fuleiragem

RONALDO - JORNAL DO COMMERCIO - RECIFE-PE

15/02/2009

Guia de sobrevivência do turista no Carnaval de Pernambuco


Esse guia é de autoria de meu “cumpadi” Fábio Barros, o repóter Bacurau. É de 2006, mas continua atualizadíssimo.


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Bacurau no Carnaval 2006


O Carnaval de Pernambuco é, sem dúvida, um dos melhores do Brasil. É tempo de gréia, alegria e festa, mas, como reza a Lei de Murphy, é também tempo de algumas aporrinhações. Para evitar essas broncas, aqui vão algumas dicas pra se divertir na folia de Momo em Recife e Olinda:

1. Ao encontrar algum bloco que possui boneco gigante, preste atenção nas mãos do boneco pro mode não levar uma mãozada no quengo. Embora o efeito do álcool se vá logo após a chapuletada, não é, obviamente, uma sensação agradável.

2. Se você escutar alguém gritando "Madeeeeeeeeeeeeeeeeira", não se assuste, pois ninguém vai ficar derrubando árvore em pleno Carnaval. É apenas algum bloco ou banda cantando o hino do bloco "Madeira do Rosarinho", o qual você vai escutar umas 14.889 vezes por dia. Até a quarta-feira de cinzas, você saberá a letra de cor.

3. Não se incomode se, ao seguir um bloco, a bandinha tocar sempre as mesmas músicas. Também não se incomode se, ao seguir próximo bloco que passar, a banda deste tocar as mesmas músicas que o bloco anterior tocou. O Carnaval de Pernambuco é assim mesmo, é tradição. É a época do ano que os pernambucanos se reúnem pra ouvir as mesmas dez músicas de sempre.

4. Nem pergunte qual é o frevo novo que é a sensação deste ano. Faz tempo que isso não existe em Pernambuco. E nem invente de perguntar qual é a dança da moda. Você corre o risco de apanhar.

5. Nunca entre em discussão com algum pernambucano sobre qual é o melhor Carnaval dentre o baiano, o pernambucano e o carioca. Vocês nunca vão chegar a conclusão alguma.

6. Nunca pergunte pra onde um bloco está indo. Siga-o apenas. Nunca se sabe onde um bloco vai parar.

7. Em Olinda, não se desespere se você passar horas e horas sem ver passar algum bloco de Carnaval. O bom do Carnaval olindense é a espera.

8. Não leve carteira, relógio, telefone celular e outros pertences pra o meio da folia. O Bloco do Arrastão desfila todos os dias e a qualquer hora.

9. Se você for homem, não fique constragido em mijar no meio da rua quando der vontade. Se assim não o fizer, vai acabar mijando nas caçolas se tentar achar um banheiro. Se você for mulher, trate logo de achar um banheiro público e entrar na fila duas horas antes de chegar a vontade de falar com o homem do bocão.

10. No Carnaval de Olinda, se você for uma mulher bonita, correrá o risco de, sem o seu consentimento, ser agarrada, beijada, apalpada e outras coisas terminadas em "ada". Se você for homem e tiver uma namorada gatinha, nem passe perto da cidade alta. Mas, se você for uma mulher feia, é hora de aproveitar e tirar o atraso acumulado. Pois, em Olinda, vale o velho ditado: "não existe mulher feia; você é que bebeu pouco". Vai que é tua, baranga!

11. Outro ditado que vale no Carnaval: cu de bêbo não tem dono. Assim, vale mais usar o outro ditado "quem tem cu, tem medo" na hora de beber.

12. Não saia cedinho de casa pra ver o desfile do Galo de Madrugada. Este bloco não desfila e nem nunca desfilou de madrugada.

13. Em Olinda, depois de tomar todas, nunca tente subir a Ladeira da Sé à pé. Álcool só é combustível pra automóvel.

14. Se você for pra folia de carro, prepare-se para pagar antecipadamente 10 reais ao flanelinha pra deixar o carro na rua. Além disso, prepare pra enfrentar engarrafamentos homéricos.

15. Não fique constrangido se você estiver no meio de um bloco "lírico" e não souber o que porra é lirismo. Também não fique sem jeito se o bloco for um do tipo "bloco-de-saudade-de-velhos-carnavais" e você não estiver sentido saudade alguma. Metade dos participantes desses blocos também não sentem porra de saudade nenhuma.

16. Se você for alérgico a mofo, passe longe dos "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais".

17. No meio desses "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais", finja que sabe quem é Felinto, Pedro Salgado, Pierre, Fenelon e o velho Edgar Moraes. Assim, você se enturmará mais rápido com o pessoal. Se, por curiosidade, você perguntar quem são esses caras, provavelmente vai receber como resposta um constrangido "não sei".

18. Não há problema algum em não saber dançar frevo. 99% dos pernambucanos não sabem fazer o passo.

Publicado por Repórter Bacurau

BRock: lembranças da efervescência cultural dos anos 80”


Por Eduardo Guimarães

É inquestionável a importância das dezenas - talvez centenas - de bandas brasileiras que surgiram nos anos 80 e ajudaram a criar a cena do Rock nacional. Tantos anos depois daquela efervescência cultural, como as pessoas que estiveram diretamente ligadas aquilo vêem o passado? Na matéria a seguir dois personagens dessa história e um DJ especializado em música dos anos 80 relembram e comentam um pouco sobre aqueles anos. Confira.


Se os anos 80 são conhecidos como década perdida devido à estagnação econômica, no mundo da música as coisas foram diferentes. No exterior surgiram novos grupos e artistas apresentando um novo som dançante, cheio de timbres e texturas sonoras criadas por uma nova geração de instrumentos eletrônicos. Era a New Wave, depois o Synthpop e tudo que veio do Kraftwerk e fez parte das origens da música eletrônica.


O Rock pesado dos anos 70 ganhou novos elementos e nasceu a New Wave of British Heavy Metal. Na seqüência o Thrash, o Death, o Black e aí por diante.
No Brasil, a anistia e a transição da ditadura para o regime democrático ajudaram a criar um clima eufórico que refletiu na produção cultural. A juventude que até então estava amordaçada pôde falar mais alto. A censura dava os últimos suspiros e as músicas nas rádios começaram a mudar. “Até 1981, 1982, o que saía de música nacional tinha que ser MPB. As rádios só davam cobertura para este tipo de música”, comenta o DJ Marcos Vicente, idealizador da Autobahn (
http://www.autobahn.com.br/), festa dedicada aos anos 80 que é realizada semanalmente em São Paulo.

No lugar da MPB politicamente engajada dos anos 60 e 70, as rádios começaram a ser invadidas por bandas do chamado BRock. O jornalista e radialista Kid Vinil (
http://www.kidvinil.com/), na época vocalista da banda Magazine, comenta sobre aquele momento na música. “Foi uma oportunidade única para o Rock brasileiro. A MPB estava em baixa e abriu-se uma lacuna. Foi por aí que as bandas entraram”.

O vocalista e guitarrista do Ultraje à Rigor (
http://www.ultraje.com.br/), Roger Moreira, dá sua versão para o surgimento do BRock. “Imagino que seja por uma coincidência de fatores. A filosofia do DIY - do it yourself (faça você mesmo) - dos Punks, aliada a uma falta de identificação dos jovens com a música que se fazia na época”.

Dezenas de bandas surgiram durante a primeira metade dos anos 80. Algumas tiveram apenas um ou dois sucessos e logo depois sumiram. Outros se tornaram grandes nomes do Rock nacional.

A efervescência criativa daquela geração foi identificada como um novo mercado para a indústria fonográfica. “Houve o interesse das gravadoras por grupos que já tinham público e eram baratos de se gravar, ao contrário dos medalhões da MPB que gastavam muito mais para gravar e já não davam tanto retorno”, comenta Roger.

Kid Vinil também cita este interesse como fator importante. “As gravadoras sentiram que poderiam vender discos com aquela nova geração e passaram a investir nos grupos. Tudo soprava a favor daquele novo Rock. Todo mundo fez sucesso, tocou no rádio, apareceu na TV e fez muitos shows”.

“É interessante que na TV a gente se apresentava em programas como Chacrinha, Bolinha e Barros de Alencar junto com artistas populares como Gretchen e Amado Batista, por exemplo. Mas a turma do Pop Rock 80 era mais unida. Éramos amigos do Kid Abelha, do Barão, dos Paralamas. Todos eram unidos e muito amigos e ao mesmo tempo respeitávamos aquela cena ‘brega’ desses programas. Tudo era uma verdadeira festa”, relembra Kid Vinil.

Quase 20 anos após o fim da década de 80, a música produzida naqueles dez anos continua forte nas rádios e na preferência do público. Artistas que surgiram na época continuam fazendo turnês por todo o mundo. Às vezes mesmo sem ter material novo. No Brasil não é diferente. Basta ver a lista de artistas que se apresentaram no ano passado no país. E este ano não deve ser diferente.
Muitos desses aficcionados pelas músicas dos anos 80 se encontram na festa Autobahn, o projeto do DJ Marcos Vicente realizado desde 1993 e considerado a primeira festa ‘revival’ da década. Além das pessoas que vivenciaram aqueles anos, muitos jovens e alguns que só nasceram depois de 1989 comparecem para curtir a festa. O DJ explica sua teoria para a festa agregar pessoas mais jovens. “A pessoa vai, às vezes, por influência de família. O irmão mais velho curtia e ele ouviu quando criança ou ouviu no rádio”.

Kid Vinil também acredita nessa influência. “Às vezes eu culpo os pais de terem influenciado seus filhos com a música dos anos 80. Vejo por aí muitos pais dizendo que seus filhos aprenderam a gostar das músicas dos anos 80 por influência deles”.

Mas o que a música do início dos anos 80 deixou como herança? A produção musical hoje em dia é tão diferente daquela dos anos 80? “O Rock brasileiro perdeu o seu bom humor. Ou será que nós já fizemos tudo que era possível em termos de bom humor?”, questiona Kid Vinil. “Sendo um pouco maldoso e bem-humorado, acho que perderam até a capacidade de autocrítica”, brinca Roger.

Há mais de 25 anos à frente do Ultraje à Rigor, Roger enfatiza sua posição sobre as diferenças entre as bandas nacionais daquela época e as de hoje. “É um ovo e um espeto eu diria, como se falava antigamente. Completamente diferentes. Nós não tínhamos nenhuma das facilidades de hoje, algumas criadas por nós mesmos. Não havia Internet, estúdios caseiros, lojas de instrumentos, MTV, nada. Fazíamos por puro idealismo, nosso objetivo era encontrar um lugar para tocar”.
Talvez a diferença seja grande. Ou talvez seja apenas um ponto de vista. A sonoridade, essa sim, é inquestionável que mudou. Se a mudança foi para melhor ou pior é o fã e ouvinte quem decide. O que não parece ter mudado é a vontade de pegar um instrumento e tocar. O sucesso de jogos como “Guitar Hero” e “Rock Band” parece ser um indicativo disso.

Uma coisa é certa: depois daqueles anos em que surgiram Ultraje à Rigor, Ira!, Titãs, Mercenárias, Garotos Podres, Blitz, Barão Vermelho, Magazine, RPM, Rádio Taxi, Zero, Plebe Rude, Inocentes e tantas outras bandas, a música nacional nunca mais foi a mesma.

Fonte:
http://territorio.terra.com.br/canais/canalpop/materias/materia.asp?codArea=6&materiaID=712

05/02/2009

Rock’n’roll ou R&B, blues rock ou jazz, country ou rock sulista, progressivo ou psicodélico, não importam as origens ou as influências, e sim a música, a criatividade e a originalidade.
Listamos aqui, em ordem alfabética, vinte das bandas mais representativas e influentes do estilo, cada uma com seu álbum geralmente considerado como mais expressivo, por algum motivo em especial. Como seria de se esperar, devido ao espaço limitado, muitas bandas igualmente importantes não foram abordadas diretamente. Alguns mais familiarizados com o estilo podem (e devem) sentir falta de nomes importantes como Thin Lizzy, Cactus, Budgie, Groundhogs, Lynyrd Skynyrd, Blue Öyster Cult, Gun, Mayblitz, Ten Years After, Rory Gallagher, Jefferson Airplane, Atomic Rooster, etc., ou ainda outros como Golden Earring, Guess Who, Mahogany Rush ou o próprio Rush, se quisermos sair do eixo Inglaterra/EUA. Limitações e omissões à parte, a lista a seguir visa apenas a oferecer algumas referências e sugestões para aqueles que desejarem conhecer ou apenas se aprofundar um pouco neste maravilhoso reino de violinos, harpas, oboés e fagotes do hard rock, onde as fadas, como todos sabem, usam botas...


1. The Allman Brothers Band - “At Fillmore East” (1971)
Um dos álbuns mais insistentemente indicados pela mídia (e pelos fãs) como o melhor registro ao vivo de todos os tempos (eleito pela revista “Rolling Stone” em 1988, entre outras), “At Fillmore East” faz realmente jus a todos os elogios possíveis. Neste terceiro álbum da banda (que contém músicas do trabalho seguinte, “Eat a Peach”), ainda com Duane Allman nas guitarras, acompanhado por Dickey Betts, encontramos jams memoráveis e versões estendidas de clássicos como “In Memory of Elizabeth Reed” (totalmente reestruturada) e “Whipping Post”, passeando por estilos distintos como o blues, o hard e o jazz. Apesar de ter feito sucesso em uma linha de rock “sulista” americano mais ligada ao blues, a influência do Allman Brothers no hard rock é inegável, principalmente devido ao estilo inovador dos arranjos de duas (ou mesmo três) guitarras. Diversas edições do álbum foram lançadas, sendo a mais interessante o CD duplo “The Fillmore Concerts”, remasterizado e com diversos bônus, contabilizando quase o dobro de material em relação ao LP original.
2. Black Sabbath - “Paranoid” (1970)
Todos têm seu álbum preferido do Black Sabbath, geralmente um dos cinco primeiros, e qualquer um deles poderia estar representando a banda aqui com todos méritos. “Paranoid” reúne talvez o maior número de clássicos, como “War Pigs”, “Paranoid”, “Iron Man”, “Electric Funeral” e “Fairies Wear Boots”. O estilo original dos riffs de Tony Iommi, os vocais sui generis de Ozzy e a cozinha destruidora de Butler/Ward ainda irão influenciar bandas de rock por muitas gerações. E para afirmar isso nem precisamos levar em conta aqui os outros ótimos trabalhos com o Dio, Gillan, os solos de Ozzy com Randy Rhoads, etc.
3. Blue Cheer - “Vincebus Eruptum” (1968)
Formado em 1967 em San Francisco, o Blue Cheer é frequentemente apontado até hoje como “a primeira banda de Heavy Metal”, talvez por serem motociclistas (o próprio manager era um Hell Angel...) cabeludos, usuários assumidos de drogas (“Blue Cheer” é uma “marca” de ácido), e tocarem extremamente alto, chegando mesmo a estourar o equipamento do estúdio durante a gravação do segundo álbum (“Outside Inside” – as sessões de gravação subsequentes foram feitas ao ar livre!). Também conseguiram algum sucesso com sua pesadíssima versão de “Summertime Blues” (de Eddie Cochran), seu primeiro single, também presente no álbum de estreia, “Vincebus Eruptum”, aqui em destaque. Exageros à parte, a banda produziu discos muito interessantes (seis álbuns, até 1971, descontando-se os álbuns de retorno dos anos 80 e 90), incorporando elementos psicodélicos ao hard mais cru inicial. O guitarrista original, Leigh Stephens, seguiu carreira solo de relativo sucesso, sendo substituído ao terceiro álbum por Randy Holden, que também viria a obter algum destaque.
4. Cream - “Disraeli Gears” (1967)
Exaustivamente apontado pela mídia como o primeiro supergrupo “artificialmente montado” da história, o Cream reunia três músicos de currículos inegavelmente surpreendentes. Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, em 1967, já haviam tocado, juntos ou separadamente, com alguns dos maiores nomes do R&B da época: Alexis Korner, Graham Bond, John Mayall, Manfred Mann, entre outros, e foram contratados pelo esperto empresário Robert Stigwood para tocarem como um grupo por um período de dois anos, extensível a três. Gravado em Nova Iorque em apenas três dias, nos modernos estúdios da Atlantic, “Disraeli Gears”, o segundo álbum da banda, não era nada menos do que uma tentativa explícita de Ahmet Ertgun, famoso chefão da Atlantic, de investir na promissora imagem de Eric Clapton. Por esse motivo, diversas composições de Jack Bruce foram apenas aproveitadas em sua subsequente carreira solo. Mesmo o compacto que precedeu o álbum continha apenas composições de Eric: “Strange Brew” e “Tales of Brave Ulysses”. Apesar de tudo, na única composição assinada por ambos (“Sunshine of Your Love”), o compacto posteriormente lançado se tornaria o mais vendido da história da Atlantic, até então.
5. Deep Purple - “Made in Japan” (1972)
“O melhor álbum ao vivo de todos os tempos!”. Mas... Outro? Bom, não importa, o fato é que “Made in Japan” é um velho preferido de muita gente (Ian Paice, por exemplo), em todos os formatos e versões disponíveis. A mais completa é o CD triplo “Live in Japan”, que traz praticamente a íntegra dos três shows originais, com a exceção das versões de “Smoke on the Water” e “The Mule” do “Made in Japan” originais, e quatro faixas de bis (“Black Night” e “Lucille”, do segundo show, e “Black Night” e “Speed King”, do terceiro).
6. Free - “Fire and Water” (1970)
Formado em 1968, em plena explosão do blues inglês, o Free em pouco tempo registra seu primeiro álbum, “Tons of Sobs” (Island). Apesar da pouca idade dos músicos (o baixista Andy Fraser tinha apenas 16 anos!), todos já tinham alguma experiência musical, e o resultado foi excelente. Com um estilo original e variado, misturando baladas, blues e belas melodias baseadas guitarra de Paul Kossoff e na voz expressiva de Paul Rodgers, o Free atinge seu auge comercial em seu terceiro disco, “Fire and Water”, que contém seu maior hit, “All Right Now”, um verdadeiro hino do rock. Após algumas idas e vindas, dissoluções e formações alternativas, o Free encerra as atividades em 1972. Paul Rodgers e Simon Kirke (baterista) se juntam a Mick Ralph (ex-Mott the Hoople) e Boz Burrel (ex-King Crimson) e formam o Bad Company, que após um belo primeiro álbum, vem gravando sistematicamente até os dias de hoje (N.E.: Rodgers, como todos sabem, acabou se juntando mais recentemente ao Queen + Paul Rodgers). Já Paul Kossoff formou o Back Street Crawler (nome de seu primeiro trabalho solo), onde gravou dois discos até vir a falecer em 1976.
7. Grand Funk Railroad - “E Pluribus Funk” (1972)
Apontado pela crítica como uma resposta americana ao Led Zeppelin, o Grand Funk foi de fato o primeiro power trio de hard a fazer sucesso efetivo nos EUA, sendo que a maior parte de seus álbuns até 1975 frequentou o top ten americano. “E Pluribus Funk”, o quinto álbum de estúdio, fez sucesso tanto pela música quanto por sua capa, em formato redondo (uma moeda). Todos os discos de estúdio até o início de 1974 (oito, ao todo) e os dois álbuns ao vivo trazem bom material, com um estilo de rock americano inconfundível, direto e com muita energia (que substituía com bastante sucesso a “falta de virtuosismo” vez por outra apontada pela crítica...). No disco “Shinin’ On” (1974), a banda atinge seu pico comercial, com a música “The Loco-Motion” (do Little Eva, composta por Carole King), que marcou a primeira ocasião em que um cover atingiu o primeiro posto nas paradas americanas após a versão original também tê-lo conseguido. Infelizmente, entretanto, a música marcou também o fim de uma era de excelentes discos de hard rock, abrindo caminho para um estilo mais pop e acessível que rapidamente espantou os fãs e levou ao fim da banda em 1976.
8. Iron Butterfly - “In-a-Gadda-da-Vida” (1968)
Um dos álbuns de maior sucesso da história do hard americano (até 1993 já havia ultrapassado a marca de 4 milhões de cópias), “In-a-Gadda-da-Vida” (corruptela de “In the Garden of Eden”), com todos seus excessos, pode ser mesmo considerado “o hino de uma geração”. Composta pelo tecladista Doug Ingle, cabeça da banda, a faixa-título foi supostamente baseada em uma missa africana (“Missa Luba”) que o guitarrista Erik Brann andava escutando na época. O resultado final, com os vocais guturais, a bateria tribal característica (o baterista Ron Bushy sempre foi adepto dos longos solos...) e os teclados fazendo a parte dos corais chamou tanto a atenção que todos os outros trabalhos da banda seriam solenemente ignorados. Alguns consideram o quarto álbum de estúdio (“Metamorphosis”, 1970) o mais bem acabado, em parte pela presença do guitarrista Mike Pinera, mas o fato é que todos os álbuns anteriores (incluindo “Heavy”, de 1967, e “Ball”, de 1969) mantêm o mesmo bom nível.
9. James Gang - “Rides Again” (1970)
Mais uma banda americana imprescindível, o James Gang surgiu em 1967, em Cleveland, Ohio, e veio a gravar seu primeiro álbum (“Yer Album”) em 1969, já com Joe Walsh na guitarra. No ano seguinte, com Dale Peters (baixo) e Jim Fox (bateria), a banda atingiria seu auge criativo, com o clássico “Rides Again”. Extremamente criativo, e misturando faixas de puro hard rock com passagens acústicas e arranjos bem construídos, o disco obteve razoável sucesso, com destaque absoluto para o talento de Joe Walsh, que além das guitarras, tocava teclados e cantava com extrema competência. Após mais dois ótimos discos (“Thirds” e “Live In Concert”, ambos de 1971), Joe deixa o grupo, para iniciar sua carreira solo e logo em seguida escrever seu nome na história junto aos Eagles. Em 1974, após dois outros discos com um guitarrista canadense (Dom Troiano), é a vez de Tommy Bolin (ex-Zephyr) assumir as guitarras e gravar “Bang” e “Miami”, que apesar de interessantes (ajudaram Tommy a se projetar ainda mais e abrir as portas do Deep Purple), não atingem o mesmo nível musical dos trabalhos iniciais da banda.
10. Jeff Beck Group - “Truth” (1968)
O primeiro de uma série incrível de álbuns solo, que estabeleceram Jeff Beck definitivamente como um dos melhores guitarristas de sua geração. Gravado em menos de uma semana e lançado em sequência a três compactos (que contavam com os vocais do próprio Jeff, por imposição da gravadora, apesar da presença de Rod Stewart!), o disco fez grande sucesso nos Estados Unidos, embora não tenha tido uma recepção especialmente calorosa na Inglaterra. Dentre as faixas principais encontram-se “Shapes of Things”, regravação de um antigo single dos Yardbirds (1966) e “Beck’s Bolero”, a primeira faixa que Beck gravou solo (a banda, na ocasião, contava com Jimmy Page, John Paul Jones e Keith Moon), retirada do primeiro compacto do conjunto, “Hi Ho Silver Lining”. Após o álbum seguinte, “Beck-Ola”, Rod Stewart e o baixista/guitarrista Ron Wood formaram o Faces (substituindo Steve Marriot no Small Faces, então na estrada há seis anos), e a banda encontrou seu final definitivo com um grave acidente de carro, que deixaria Jeff fora de ação por longos 18 meses, adiando a já combinada formação do BBA (Beck, Bogert & Appice) por alguns anos (ou seja, até o fim do Cactus original de Tim Bogert e Carmine Appice, em 1973).
11. Jimi Hendrix - “Are You Experienced?” (1967)
Uma tarefa difícil, senão impossível, é falar da importância e da influência de Jimi Hendrix sem ser trivial ou repetitivo. Todos seus álbuns tiveram alguma faceta criativa em especial, mas o primeiro foi provavelmente o de maior impacto. Gravado ao longo de seis meses entre diversas excursões entre a América e a Europa, “Are You Experienced?” logo estourou nas paradas. Curiosamente, a edição inglesa (que só perdeu o número um nos charts devido a “Sgt. Pepper’s”, dos Beatles) deixava de fora os hits anteriores “Purple Haze”, “The Wind Cries Mary” e “Hey Joe”, devidamente incorporadas no LP americano, distribuído pela gigantesca Warner-Reprise. Grande parte desse sucesso pode ser creditado à atuação do empresário e produtor Chas Chandler, que trouxe Jimi dos EUA e financiou de seu próprio bolso as gravações do primeiro compacto, o clássico “Hey Joe”.
12. Led Zeppelin - “Led Zeppelin II” (1969)
Tal qual ocorre com o Black Sabbath, todos guardam seu disco predileto do
Led Zeppelin no coração. As opções são muitas, mais ainda se levarmos em conta a inimaginável quantidade de bootlegs lançados ao longo dos anos. O segundo álbum é sem dúvida um dos maiores e mais influentes trabalhos do hard rock de todos os tempos, recheado de clássicos do início ao fim. Poderia até mesmo, quem sabe, ser uma unanimidade total, se incluísse, por exemplo, “Since I’ve Been Loving You”, do álbum seguinte – um dos mais geniais blues em tom menor da história do hard rock!
13. Mountain - “Climbing!” (1970)
Nascido em Nova York a partir do encontro entre o guitarrista Leslie West e o produtor (e baixista) Felix Pappalardi (que haviam trabalhados juntos no primeiro álbum solo de Leslie, de 1969), o Mountain fez uma estréia em grande estilo, no Festival de Woodstock. Logo em seguida, gravam seu primeiro álbum propriamente dito, “Climbing!”, conseguindo imediatamente um grande sucesso nas paradas. Com o estilo de riffs de guitarra e a voz inconfundível de Leslie, aliados às melodias delicadas de Felix, mais a colaboração de Corky Laing (bateria, parceiro de Leslie até os dias de hoje) e Steve Knight (teclados), muitas faixas se tornaram clássicas, como a indefectível “Mississippi Queen” ou a sensacional versão (para muitos, a definitiva) de “Theme for an Imaginary Western”, de Jack Bruce. Após outros discos de sucesso como “Nantucket Sleighride” e “Flowers of Evil”, a banda começa a perder o pique. West e Laing gravam três álbuns com Jack Bruce (destaque para o belo “Why Dontcha”, de 1972), e em seguida fazem um derradeiro álbum como Mountain, o fraco “Avalanche” (1974). Felix Pappalardi retomou a carreira de sucesso como produtor, até ser vítima da “violência conjugal” em 1983, morto pela mulher com um tiro na cabeça.
14. Rainbow - “On Stage” (1977)
Este supergrupo formado por Ritchie Blackmore após sua saída do
Deep Purple foi responsável, junto com o UFO de Michael Schenker, por alguns dos melhores álbuns e performances da segunda metade da década de 70. Com um repertório formado basicamente a partir do excelente material do primeiro disco de estúdio (não trazendo, infelizmente, a épica “Stargazer”, do segundo álbum), “On Stage” traz os bem conhecidos Ritchie, Dio, Cozy Powell, Jimmy Bain e Tony Carey (teclados) no auge da sua forma, rivalizando facilmente com o “Made in Japan” em qualidade musical, execução e registro. Pena que a partir da breve passagem de Graham Bonnet pela banda (registrada no já fraco disco “Down to Earth, de 1979, também com o baixista Roger Glover) as constantes mudanças de pessoal (resultado do ego incontrolável de Ritchie) tiveram um efeito nefasto no conjunto, conhecido a partir de então por discos lamentáveis, passagens embaraçosas e músicos muito aquém dos velhos dias de glória dos anos 70.
15. Steppenwolf - “Steppenwolf” (1968)
Para muitos, o Steppenwolf não passa de mais uma banda de um hit apenas, ou seja: “Born to Be Wild”. O que os incautos ignoram é a quantidade de bons discos lançados no curto e atribulado período (1968 a 1971) de existência do conjunto: 8 álbuns, ao todo. Para quem gosta de um, é difícil não gostar dos outros, tamanho o equilíbrio. De alguma forma, contudo, o primeiro trabalho se sobressai ao conjunto, tanto pelo excelente material quanto pela execução vigorosa e intensa das composições. Além de “Born to Be Wild”, o disco contém diversos outros clássicos do repertório da banda, como “Sookie Sookie” (de Cropper/Covey), “The Ostrich”, “Hootchie Kootchie Man” (Willie Dixon) e, principalmente, “The Pusher” (Hoyt Axton). Esta última música, executada desde o tempo em que a banda se chamava “Sparrow” e tinha acabado de chegar à California (vinda do Canadá), aparece também em uma sensacional versão de quase 30 minutos no disco “Early”, gravado em maio de 1967, que atesta inapelavelmente uma criatividade precoce e a enorme influência do Steppenwolf para o hard rock.
16. UFO - “Strangers in the Night” (1978)
Gravado no decorrer de uma enorme turnê americana (onde abriram muitos shows para o Blue Öyster Cult), “Strangers in the Night” é um marco na discografia do UFO. Foi registrado durante sua melhor fase, após o lançamento de seu álbum de estúdio de maior sucesso, “Lights Out” (1977), onde o tecladista Paul Raymond já integrava o conjunto, e imediatamente antes do guitarrista Michael Schenker abandonar a banda “em definitivo” pela primeira vez. O repertório é o melhor possível, uma sucessão imensa de clássicos como “Doctor Doctor”, “Rock Bottom”, “Lights Out”, “Love to Love”, “Too Hot to Handle” e muitos outros, todos tocados com uma energia incrível e eletrizante, em versões infinitamente superiores às respectivas gravações em estúdio. Não é à toa que os fãs insistem em afirmar que este é “o melhor álbum ao vivo de todos os tempos” (o que não parecia ser um título muito difícil de se obter nos anos 70...). Exageros à parte, os solos incríveis de Michael Schenker e o vocal firme e característico de Phil Mogg ajudaram a consolidar um estilo que viria a se tornar referência básica em hard rock, e influência para muitas bandas de heavy metal dos anos 80 aos dias de hoje.
17. Uriah Heep - “Demons and Wizards” (1972)
O ano de 1971 foi um marco na carreira do Uriah Heep. Após o lançamento de “Look at Yourself”, que obteve razoável sucesso tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, a banda sofreu mais uma de suas inúmeras mudanças de formações: Lee Kerslake assumiu a bateria, e Gary Thain o baixo. Junto com Ken Hensley (teclados), Mick Box (guitarras) e David Byron (vocais), o conjunto assumiu sua formação clássica, responsável por seus melhores álbuns. “Demons and Wizards”, gravado no início do ano seguinte, foi o primeiro deles, e certamente o mais criativo. As composições, como o próprio título do álbum sugere, se voltaram para temas fantásticos, e para ilustrar esta mudança, Roger Dean foi chamado para produzir a capa (repetindo a dose no álbum seguinte, “The Magician’s Birthday”). O sucesso foi grande, principalmente nos EUA, graças à combinação dos teclados virtuosos de Hensley com a bela e poderosa voz de Byron, somados ao baixo nervoso e onipresente de Gary Thain, considerado por muitos um dos melhores baixistas de hard rock da história, ao lado de Bogert, Bruce e Entwistle.
18. Vanilla Fudge - “Renaissance” (1968)
Influência confessa de várias grandes bandas do início dos anos 70 (Deep Purple, por exemplo), o Vanilla Fudge começou sua carreira de sucesso em 1967, com uma versão de “You Keep Me Hanging On” (The Supremes), que logo se tornou um hit, abrindo as portas da banda para a gravadora Atlantic. Após dois álbuns bem recebidos pela mídia, que os rotulava de sucessores dos
Beatles (consta que George Harrison era um fã, e adorava a versão de “Eleanor Rigby” do primeiro álbum, que por sinal era composto apenas por covers), a banda grava “Renaissance”, que marca seu amadurecimento musical, com composições próprias, mais longas e trabalhadas, praticamente inaugurando o estilo de hard baseado no órgão Hammond (o tecladista Mark Stein fez escola) e no virtuosismo instrumental. Após o fim da banda, Carmine Appice (baterista) e Tim Bogert (baixista) continuaram juntos por um tempo, gravando ainda ótimos álbuns com o Cactus e junto a Jeff Beck, no supergrupo “Beck, Bogert and Appice” (BBA) – ambos igualmente essenciais na história do hard rock.
19. The Who - “Who’s Next” (1971)
Depois do sucesso de “Tommy”, o grande projeto conceitual de Pete Townshend para o The Who era uma história de ficção científica chamada “Lifehouse”. Totalmente megalomaníaca, envolvendo, além de um álbum duplo, a produção de um filme, apresentações de teatro e concertos gigantescos, a idéia rapidamente se mostrou inviável. Entretanto, o grupo já estava meio de saco cheio da história toda (e da incapacidade de Townshend de completar o roteiro e explicar para todos o conceito do disco), quando o produtor associado Glyn Johns preparou uma seleção das faixas finalizadas e apresentou ao grupo, que de pronto aprovou a idéia. Como resultado, foi então lançado o álbum “Who’s Next”, para muitos o melhor e mais equilibrado trabalho de estúdio da fase hard da banda (que ficou conhecida, contudo, pelos seus memoráveis shows, marca registrada até os dias de hoje – enquanto restar algum membro vivo, ao menos). Apesar de não manter a proposta conceitual, a seleção de faixas do finado “Lifehouse” traz a banda no auge de seu processo criativo, com Pete, John, Keith e Roger mostrando no manejo habilidoso dos instrumentos a diferença básica que os destacava dentre seus antigos contemporâneos e conterrâneos de maior sucesso...
20. Wishbone Ash - “Argus” (1972)
O último disco desta lista, graças à sequência alfabética das bandas, é provavelmente um dos melhores álbuns de todos os tempos. Destaque absoluto na excelente discografia da banda, que também inclui discos essenciais como “Pilgrimage” (1971) e “There’s the Rub” (1974), “Argus” é o produto de um surto incrível de criatividade, poucas vezes igualado na história do rock. São sete faixas impecáveis, com arranjos belíssimos de duas guitarras (executadas por Andy Powell e Ted Turner), responsáveis, ao lado de bandas como o Allman Brothers e o Thin Lizzy, pela criação de um estilo musical que influenciou muitos conjuntos de heavy metal dos anos 80, como o
Iron Maiden por exemplo. Com reconhecimento unânime da crítica e do público, “Argus” foi eleito o melhor álbum de 1972 pelos leitores de dois dos mais importantes jornais musicais ingleses da época, o “Melody Maker” e o “Sounds”, batendo discos tais como “Machine Head” e “Thick as a Brick”. Passeando sempre entre o hard e o rock progressivo (apesar da ausência de teclados), músicas como “Sometime World”, “The King Will Come”, “Warrior” e “Throw Down the Sword” são testemunhos incontestes da época mais rica e criativa dos dias de glória do rock inglês.

Edição: Rodrigo Werneck

04/02/2009

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