22/05/2014

Desce mais uma


Por Priscila Virginio

Os dias andam tristes. 
As pessoas cada dia mais egoístas. 
Os muros cada vez mais altos.
 A cidade mais vazia de vida.
Os alimentos envenenados.
A classe média quer viver em seu sonho absurdo desnudado pelos comerciais de margarina.
Querem viver trancados em condomínios de luxo com seus filhinhos. Os meninos de azul e as meninas de rosa.
Ah, e o cachorro de raça compradinho no shopping.
Andar na rua e usar transporte público só vale se for na Europa porque é chique. 
Família é só modelo casal hétero e filhos. 
Beleza é só a da mulher branca e magra.
Religião é só a cristã católica ou a protestante. 
O mundo e a cidade são para os jovens. Os velhos a gente tranca em algum canto, afinal já não servem para nada.
Legal é usar o facebook para incitar ódio, compartilhar mentiras e dizer que tudo desde a dor de barriga desta manhã até a caspa da sua cabeça é culpa do PT. 
Na TV as grandes corporações defendem interesses próprios e chamam isso de informação, de prestação de serviço. Você está ai trancado, o seu carro na garagem com alarme. Você acredita no que diz a TV porque não vive a cidade, porque é essa jogada, sacou? Eles te põe medo, carga horária apertada no trabalho e te vendem sonhos consumistas. Aí você não vê, não vive a vida e crê nas histórias que eles te contam. 
Gostaria descer, mas o trem não pára. Sigo olhando pela janela e bebo quando tudo fica insuportável.

21/01/2013

Não se iluda: o Mega não deverá ser “indestrutível”, e ainda precisa responder a muitas dúvidas


POR - LEO MARTINS 21 JAN, 2013 - 04:10


 O Mega, serviço de compartilhamento de Kim Dotcom, estreou exatamente um ano após o fechamento do Megaupload — exatamente mesmo, no exato minuto, como se fosse uma grande vingança de Dotcom contra aqueles que derrubaram seus servidores. O grande trunfo do serviço é a promessa de que todos os dados serão criptografados, que o serviço não terá acesso aos arquivos, e que apenas o usuário e quem mais ele permita poderão usar tais informações. Uma nova era da “privacidade”, certo? Talvez, mas provavelmente não: há brechas jurídicas desde já nos termos e na construção do Mega, e nada impede que novas medidas sejam aprovadas.

Para criar o burburinho do Mega, a promessa de encriptar todos seus dados enviados ao serviço pode ser considerada, em um primeiro momento, como uma gigantesca ameaça aos direitos autorais. Mais do que proteger o usuário, o Mega protege a si mesmo: sem saber que tipo de arquivos seus usuários estão trocando pela rede, ele usa o “poder da ignorância” para não abrir seus dados caso ações nos EUA baseadas no Digital Millennium Copyright Act cheguem aos montes. “Os donos de direitos autorais poderão remover material que infringe direitos autorais e até terão acesso direto para apagá-los, se eles concordarem em não nos colocarem como responsáveis pelas ações dos usuários”, Dotcom disse à Reuters. Na realidade, ele afirma não ter dados para abrir – só o usuário, sua senha e seus links separados (o que dificulta o rastreamento) sabem o que se passa por lá. É como redecorar uma velha casa chamada Deep Web com papéis de parede bonitos e reviver um bairro decadente da internet.

Mas Lee Hutchinson, do Ars Technica, já levantou duas sobrancelhas sobre o grau de segurança do Mega: em um detalhado post sobre o grau de criptografia do sistema, ele revela que o serviço é avançado, mas longe de ser impecável, e que usa soluções já desvendadas por diversos estudiosos de segurança. Ele considera o sistema duro, mas afirma que não é difícil chegar ao usuário que criptografou o arquivo, graças ao método de criptografia simétrica que o site utiliza — mais rápido que o assimétrico, porém menos seguro. Mas o que mais incomodou o autor e outros hackers e afins (e que pode ser mais palpável para o mundo real) foi o oitavo ponto dos termos de serviço do Mega:

8. Nosso serviço pode deletar automaticamente um pedaço de dado que você tenha feito upload ou oferecido para alguém acessar caso seja determinado que tal data seja uma duplicação exata de um dado original já disponível em nosso serviço. Neste caso, você terá acesso aos dados originais.

Certo, o Mega apaga arquivos duplicados exatos, algo comum em vários serviços para economizar espaço. Mas isso significa que se uma ação judicial descobrir que alguém tem um arquivo ilegal em sua pasta, o Mega pode encontrar as cópias exatas nas pastas de outros usuários e fornecer tais dados — que, juntando as peças, diriam quantos e quais usuários compartilharam o arquivo. Há inclusive a opção de “remover todos os arquivos das URLs citadas” na página de Copyright Notice do serviço, o que abre espaço para mais possibilidades nada seguras (a opção vai além e diz “não há nenhum usuário no mundo com permissão de armazenar tal arquivo em qualquer circustância”). Mas isso é uma hipótese das mais sombrias, e que existe basicamente por causa dos termos amplos do Mega. E aí mora o problema um dos problemas do serviço.

Apesar das juras de que o Mega não terá nenhum problema com as leis americanas — as mesmas que tiraram o Megaupload do ar — é muito improvável que ele não passe apertos com a Justiça, e nem que sofra consequências por isso: há, por exemplo, o conceito de “facilitar a pirataria”, um argumento legal utilizado inclusive para tirar o Megaupload do ar. À época, o argumento consistia em dizer que o site facilitava o processo de piratear conteúdo, já que ele premiava aqueles que tinham os arquivos mais compartilhados, e que frequentemente eram arquivos que infringiam direitos autorais. Eles podem desviar de acusações de pirataria mais diretas, mas usar a ignorância como única defesa dificilmente protegerá o Mega. Dado o passado de Kim Dotcom e o Megaupload, não seria difícil também dizer que o serviço foi criado explicitamente para facilitar a quebra de direitos autorais — Dotcom pode tentar vender o serviço como uma ode à privacidade, mas no mundo real todo mundo sabe o que ele espera que aconteça dentro dos servidores.

É preciso lembrar que as leis digitais dos EUA não são atualizadas há mais de uma década, e o DMCA, usado como base na maioria dos processos, é de 1998. Isso significa que ela traz parágrafos e leis com abrangência suficiente para enquadrar praticamente todos os serviços que surgiram na web 2.0. E se tais leis já podem complicar o Mega, nada impede que novas emendas sejam criadas especificamente para combater a pirataria do sistema. A pressão por parte da indústria cinematográfica, por exemplo, será enorme, e se a Justiça americana fez um esforço tão grande para tirar o Megaupload do ar, não consigo ver nada que impeça o Mega de ter um futuro tão complicado quanto.

Como uma “gaveta digital”, o Mega pode funcionar muito bem: 50 gigabytes gratuitos para usuários pode ser o caminho para aumentar a presença das pessoas na nuvem — um próximo passo ao Dropbox, que oferece um décimo no plano gratuito. Quem já vive na nuvem sabe das praticidades que arquivos em todos os lugares oferece, e 50GB é o suficiente para deixar uma grande parte de sua vida digital planando nos ares. Mas é possível confiar no Mega, um serviço que já nasce cercado de polêmicas, mais do que num Skydrive ou no próprio Dropbox?

O que o Mega tem de novo é misturar dois mundos que antes pareciam distantes: os serviços de armazenamento ultrassecreto, com criptografia de alto nível, e os serviços de compartilhamento aberto e frenético. O primeiro era utilizado para esconder arquivos, deixá-los distantes do mundo; o segundo formato é o completo oposto, onde todo mundo quer clicar e esperar um minuto para baixar um disco. Isso pode, em um primeiro momento, complicar os processos contra o Mega, já que ele conseguiu se enquadrar numa linha tênue entre a pirataria e a privacidade.

Mas isso não é a revolução da internet. Isso é uma colagem de dois serviços. Não há nada de genial: há apenas uma (grande) provocação contra os direitos autorais. E num momento em que caminhamos para um entendimento melhor de como os direitos autorais funcionam na internet e em que a indústria percebe que usuários estão dispostos a pagar por bom conteúdo, desde que ele tenha um preço honesto e seja de boa qualidade, a provocação do Mega não parece mais um regresso no amplo debate sobre o assunto? E você está pronto para confiar seus dados para o Mega? O serviço ainda precisa responder várias dúvidas, e enquanto sua velocidade está baixíssima, provavelmente pelo grande fluxo de usuários curiosos, nos resta questionar cada um desses importantes pontos.

10/01/2013

Afastado Pelos Flatos


Funcionário publico foi afastado por tornar o ambiente de trabalho “intolerável”.

Um funcionário público, americano foi afastado por excesso de flatulência , vulgo peidava pracaraleos, em seu ambiente de trabalho. Encaminharam pra ele um documento de 5 páginas explicando o motivo do seu afastamento e uma tabela com os dias e horários – feito pelos seus “colegas de trabalho” – em que peidava.

A administração de sua área o informou que a falta de controle dos flatos havia criado um ambiente intolerável e hostil para seus colegas, muitos dos quais já haviam reclamado para seus superiores sobre o cheiro.


Por dois meses ele já estava sendo avisado e o recomendaram que fosse até o banheiro para soltar o tolete em pó. Mas ele dizia que quando soltava na sala que ele poderia ligar o ventilador. O gerente o avisou que “ligar o ventilador só fazia espalhar mais o cheiro e piorava a qualidade do ar“.

A podridão era tanta que seus “colegas de trabalho” chegaram a fazer uma tabela por 17 dias contando todas as horas em que o mal cheiro os atacava. Reparem só que no dia 19 de setembro alguma coisa que comeu deve ter turbinado a fera!

O afastamento é de 1 ano pela “conduta desrespeitosa e inapropriada”. Pro gordinho ser afastado por 1 ano do trabalho por causa da frouxidão, imagine o cheiro de jaula…

Chupado do Chongas


03/01/2013

Sinto falta de Seu Melqui

Todo dia, às 5h, o Google Calendar me manda um SMS com os compromissos daquele dia. Quando acordo, a segunda coisa que faço é ver os tais compromissos (aniversários, contas pra pagar, audiências, etc.). A primeira é dar um beijinho em Elga, hehehehehe.

Claro que o Google não precisava avisar, mas ele avisou que seria aniversário de papai. Hoje ele faria 92 anos... Sinto falta dele. Uma falta diferente. Mas sinto falta.

No café da manhã, assistindo a entrevista de Geraldo Julio, me lembrei dele, que certamente criticaria  a Meyre Lanuce e o próprio Geraldo Júlio. Na hora do almoço, vi Samuel corrigindo uma repórter, fazendo "perguntas idiotas" a uma pobre entrevistada que trabalha no SESC. Mais uma vez lembrei-me dele. Todos os dias lembro dele lendo o jornal e me deparo com frases absurdas, sem nexo e sem qualquer concordância.

Sinto falta dele quando vejo pessoas que se acham mais espertas que as outras, que furam filas, que se aborrecem com a fila para idosos, que andam pelo acostamento na estrada por causa de engarrafamento, que jogam lixo na rua, que não acham nada demais trazer clips do trabalho pra casa, que ficam caladas quando recebem o troco errado, para mais, claro, que saqueiam cargas de veículos acidentados, só porque "todo mundo tá saqueando", que não cumprimentam o zelador porque "ele não acrescenta nada" .

Convivi pouco tempo com papai, mas meus irmãos mais velhos conviveram bastante com ele e tenho certeza que ele passou, ensinando ou geneticamente, bons valores para todos nós.



Sinto falta por não ter convivido mais tempo com ele. Meu consolo é saber que em meu sangue corre o dele e, junto, um caráter forte!

Saudades de ti pai.


"O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver." Sigmund Freud

05/11/2012

Estagiário Social 1: Fatalidade no RioMar

Estagiário Social 1: Fatalidade no RioMar: Reproduzo o depoimento do jovem Bernardo Barbosa , vítima da fatalidade. Fica o alerta para o shopping e para todos os outros locais que re...

16/10/2012

Quem faz download ilegal de arquivos gasta 30% mais com música

Um estudo feito pela American Assembly, órgão ligado à Universidade de Colúmbia (EUA) mostra que usuários que baixam arquivos ilegais em redes P2P gastam até 30% a mais com música. Ou seja, ao contrário do que pensa o senso comum, os "piratas" são os melhores amigos dos músicos.

Os pesquisadores chegaram à essa conclusão depois de analisar os hábitos de consumo de música de 2300 pessoas nos EUA e na Alemanha. Segundo o estudo, intitulado "Cultura da Cópia nos EUA e Alemanha", quem baixa arquivos ilegais tem  37% mais músicas no PC. Mas boa parte desses arquivos foi adquirida legalmente.

Cerca de 40% do acervo musical dos piratas foi adquirido de modo legal. O resultado vai ao encontro de outras pesquisas feitas sobre o mesmo assunto. Quem gosta de música baixa alguns arquivos de graça e depois compra mais arquivos para ajudar o seu artista preferido. (vi no Register)

Por charles_nisz
 

09/10/2012

É HOJE! - Monster - Kiss

"Monster", vigésimo disco da longa carreira do Kiss, é um álbum surpreendente. Surpreendente porque não traz nada que remeta aos trabalhos recentes do quarteto liderado por Gene Simmons e Paul Stanley. Não há uma produção grandiosa e canções feitas descaradamente sob medida para virarem singles, e nem mesmo o hard festivo executado pelo grupo durante a década de 1980. A história aqui é outra.


Em "Monster" o Kiss embarcou em uma máquina do tempo e fez uma viagem de volta aos anos 1970 - sem escalas, diga-se de passagem. O resultado dessa jornada é um belo álbum de hard rock puro e sem frescuras, como há um bom tempo a banda não gravava e como há tempos os fãs esperavam ouvir.

Produzido por Paul Stanley e Greg Collins, que já havia trabalhado com o grupo no disco anterior, "Sonic Boom" (2009), "Monster" surpreende pela agressividade e pela crueza do som. Gene Simmons declarou que o álbum seria uma mistura entre "Destroyer" (1976), "Revenge" (1992) e "Sonic Boom". Sinceramente, não consigo perceber elementos dos trabalhos da década de 1990 e 2000 aqui. Já em relação a "Destroyer", o buraco é mais embaixo.

Gravado com equipamento totalmente analógico, "Monster" transparece uma autenticidade e uma diversão que contagiam o ouvinte. É um disco de rock básico com tudo que se tem direito, e nada além disso. E é justamente por ser assim que é tão legal. Com canções baseadas em riffs, refrões ganchudos e energia de sobra, "Monster" mostra um Kiss renovado e com o tanque cheio de um combustível de alta octanagem.

Um dos responsáveis por esse entusiasmo e dinamismo é o guitarrista Tommy Thayer. O músico por trás do papel que um dia já foi de Ace Frehley brilha em todo o disco, principalmente nos solos - ouça “Wall of Sound” e “The Devil is Me” e comprove. O outro é Paul Stanley. Além da produção, Stanley coloca-se levemente à frente de Gene Simmons em todo o álbum, ditando as regras e assumindo o controle. Das doze faixas, Paul canta cinco, Gene quatro, Tommy uma (“Outta This World”), Eric Singer outra (“All for the Love of Rock & Roll”) e os dois integrantes originais dividem o vocal em “Take Me Down Below”.

Antes da gravação e durante o processo de composição, Stanley declarou que em "Monster" a banda teria mais liberdade artística. Isso, ainda que perceptível, é um tanto estranho para uma banda do tamanho e com o status do Kiss. Afinal, se eles não possuem liberdade artística, quem possuirá? Nas entrelinhas, porém, a leitura é outra. O sucesso de "Sonic Boom", que já apresentava um som mais simples e uma produção menos grandiosa que a habitual, fez Gene perceber que o caminho proposto por Stanley estava correto. Essa “liberdade artística” citada por Paul pode ser interpretada como uma cobrança menor de Gene por resultados, deixando Stanley trabalhar na boa. E como toda pessoa mais entendida na história do Kiss sabe, o direcionamento artístico da banda sempre veio, em grande parte, da visão de Paul, enquanto Gene fazia o seu papel com maestria na outra ponta, construindo uma das marcas mais conhecidas do rock e erguendo um dos maiores impérios da indústria musical.

"Monster" é bastante homogêneo e nivelado por cima, mas algumas canções se destacam um pouco mais do que as outras. É o caso de “Hell or Hallelujah”, “Wall of Sound”, “Back to the Stone Age”, “Shout Mercy” e “Last Chance”. Merece menção também a incrível semelhança entre “Long Way Down” e a clássica “Shapes of Things” na versão gravada pelo Jeff Beck Group em seu álbum de estreia, "Truth" (1968). Se é uma homenagem ou uma inspiração, não se sabe, mas o resultado ficou legal.


Concluindo, o Kiss mostra em "Monster" que ainda é relevante. Polindo os excessos e focando em uma sonoridade mais crua e direta, o quarteto mascarado gravou um disco bastante agradável e que cairá no gosto não apenas dos fãs. Como diriam os Stones: it’s only rock and roll, but I like it!

Faixas:

Hell or Hallelujah
Wall of Sound
Freak
Back to the Stone Age
Shout Mercy
Long Way Down
Eat Your Heart Out
The Devil is Me
Outta This World
All for the Love of Rock & Roll
Take Me Down Below
Last Chance