24/11/2011

Novo disco do Ultraje?

Após o incidente ocorrido entre parte da equipe técnica da banda Ultraje a Rigor e a do cantor Peter Gabriel no ultimo dia 13 no festival SWU, começaram a surgir parodias em relação ao ocorrido, dentre elas esta uma foto onde mostra a relação entre a banda e o Vulgar Display of Power (clássico disco da banda Pantera).

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Lobão: nova nota sobre o Lollapalooza Brasil

LOBÃO nesta terça-feira (22/11) divulgou uma nova nota oficial em seu perfil no Facebook sobre a sua decisão em não tocar no festival Lollapalloza Brasil e que pode ser lida na íntegra abaixo:

Nota de Esclarecimento

Nossa intenção era que a nota enviada ontem, dia 21/11/2011, para toda imprensa fosse suficiente para esclarecer os fatos que levaram o Lobão a desistir de tocar na edição brasileira do festival Lollapalooza, mas desde então, muitos boatos e atitudes arbitrárias foram tomadas, nos forçando novamente a fazer um comunicado oficial, o qual esperamos que seja claro, objeto e final.

- É de conhecimento que o Lobão gravou um vídeo em que manifesta sua opinião a respeito da forma como os artistas brasileiros vem sendo tratados nos grandes festivais. Conta também sobre a recusa em participar do festival.

Vale deixar muito claro, que a decisão de NÃO PARTICIPAR DO EVENTO foi do Lobão e não o contrário. Portanto, o músico não compreende o comunicado enviado ontem, dia 21/11/2011 pela Geo Eventos dizendo que mantinha o convite feito ao músico, sendo que, no mesmo dia, nossa assessora de imprensa tentou um contato com a GEO Enventos, na intenção de promover uma conversa franca, clara e frente a frente com o músico Perry Farrell, mas até o momento não recebeu nenhum resposta. Essa conversaria colocaria um ponto final em toda a polêmica causada, evitaria boatos e o famoso “disse que disse”.

O CONVITE

O Lobão foi convidado a participar do evento (e se sentiu muito honrado com isso). Seu agente chegou a assinar a carta intenção e o músico - inclusive - iria se apresentar-se por um cachê menor, com condições diferentes do que ele estipula em seus shows, porque tinha em mente a importância de fazer parte do Lollapalooza. Portanto, não teria motivo para desistir se não fosse por uma razão que tanto o músico como sua equipe consideram séria. Em anexo a cartão de intenção,

NÃO SE TRATA DE NACIONALISMO DEMAGOGO

Também é muito importante salientar que não se trata de uma posição bairrista ou mesmo nacionalista demagoga. Lobão é admirador da música e da arte americana, assim como de outros países, muito diferente do pouco conhecimento demonstrado pelo músico Perry Farrell em entrevista para a Folha de São Paulo, em que cita: "Estou aprendendo sobre os brasileiros agora, assim como vocês estão aprendendo agora sobre as bandas internacionais" e arremata dizendo que não conhece a música do Rappa, mas que o vocalista da banda é sexy.

Na mesma matéria Perry Farell deixa claro o pouco conhecimento que tem do cenário brasileiro com a seguinte afirmação: “Espero que o Lollapalooza traga essa cultura de festivais e shows internacionais para a América Latina. Ops, para o Brasil”.

E para finalizar deixa uma dica totalmente equivocada para um músico que tem dezenas de hits, mais de 30 anos de carreira e milhares de discos vendidos ao longo dos anos: “Vou dar um conselho a ele: grave um disco muito bom, um que todo mundo ame, e faça as pessoas quererem vê-lo ao vivo. Então, ele poderá ser headliner de um festival”

O ESPAÇO PARA BRASILEIROS

A questão central não é o horário que havia sido estipulado para o Lobão, mas sim, a forma como os artistas nacionais estavam divididos dentro do festival. Repetindo o que foi dito na nota de ontem: ficou estipulado que o Lobão iria tocar no dia 08 de abril, às 15H. Até então não haveria problema algum, mas, o músico recebeu a informação de que, todos os artistas brasileiros que iriam tocar nos dois palcos principais do festival só poderiam tocar das 10H às 15H e, que horários nobres estavam reservados para os artistas internacionais. Para que não houvesse qualquer tipo de desentendimento, Lobão ligou diretamente para o empresário Sergio Peixoto da GEO Eventos questionando a informação, a qual - infelizmente - foi confirmada.

Foi vendida para o lobão a idéia de que ele seria o artista principal, fechando as atrações brasileiras, como se a tal situação fosse motivo de orgulho, enquanto na verdade para ele é motivo de vergonha.

CONVOCAÇÃO AOS BRASILEIROS

O que Lobão pede é uma recuperação de auto-estima. Até quando o público e a classe artística vão deixar que os empresários e os grandes festivais nos desfavoreçam dessa forma? É uma questão de respeito mutuo, de reconhecimento de nossa arte e interação equilibrada e harmoniosa entre todos os artistas de todos os países.

Não importa se o músico irá tocar às 10H da manhã ou no final da noite, o que se questiona aqui é o pouco valor dado para os músicos brasileiros em geral e para as bandas do nosso mainstream que são tratadas como iniciantes num festival internacional, por sinal, festivais que obviamente estão enxergando que diante da crise mundial, o Brasil é um ótimo lugar para se fazer lucro.

Pagamos caro em ingressos, compramos com meses de antecedência e não estamos dando valor a nós mesmos?

O que Lobão não aceita é que os artistas nacionais sejam colocados como segundo plano e que não sejam tratados com o respeito que merecem. E enquanto o público, a mídia e os próprios artistas continuarem a aceitar isso, o Brasil continuará sendo visto como o país da selva e de terceiro mundo, onde qualquer estrangeiro chega aqui e faz o que bem entende com a nossa música, com o nosso rock n roll.

Os festivais precisam ceder a nós. São eles que precisam da nossa bilheteria, e não o contrário.

Citamos mais uma vez, que nos entristece perceber, se torna mais fácil vender a imagem do Lobão polêmico e lunático do que admitir a situação e dizer que vão corrigi-la.

Com os rumos que as coisas tomaram e principalmente após a entrevista dada por Perry Farrell agora Lobão não tem mais dúvidas de que estava certo quando percebeu que os artistas nacionais não estavam sendo tratados como deveriam.

O músico que estava muito honrado com o convite, infelizmente sente-se frustrado em perceber que atual situação – novamente – não tem servido como motivador para que a classe artística e o público tomem uma atitude em relação ao fato.

Ninguém está fazendo favor aos brasileiros, somos nós que estamos recebendo os grandes festivais aqui, portanto, acreditamos que esta questão seja de imensa importância para que possamos discutir até quando os ARTISTAS e a CULTURA BRASILEIRA serão colocados em segundo plano dentro do próprio país. Nós queremos intercambio musical sim! Admiramos as bandas internacionais, mas queremos o mesmo intercambio dentro do respeito e integridade.

Acreditamos que dessa vez a situação esteja esclarecida e que consigamos dar um passo a frente, tomar uma atitude e mudar para melhor.

Atenciosamente,

Lobão e sua equipe".

01/11/2011

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

by Nina Crintzs

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.

Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.

Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.

O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.

O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.

A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.

O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.

Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.

Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.

Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

27/10/2011

Iron Maiden: versões de canções da banda para bebês

1319644790_ironmaidenlullabiesA "Twinkle Twinkle Little Rock Star" (http://www.facebook.com/twinkletwinklelittlerockstar) acaba de lançar pelo ITunes o disco "Lullaby Versions Of Iron Maiden" onde estão presentes diversos clássicos da Donzela de uma maneira bem diferente, em forma de canções de ninar.

O Iron Maiden não é a primeira banda a ter suas músicas adaptadas; a "Twinkle Twinkle Little Rock Star" já fez canções de ninar com músicas de diversas bandas como Metallica, Motley Crue, Foo Fighters, The Beatles, Paul McCartney, Pink Floyd, Rush, Led Zeppelin, Journey, Creedence Clearwater Revival, Rick Springfield, Steve Miller Band, Jimmy Buffett entre outros.

Capa e tracklist de "Lullaby Versions Of Iron Maiden":

01. Run To The Hills
02. The Number Of The Beast
03. The Trooper
04. Hallowed Be Thy Name
05. Aces High
06. Fear Of The Dark
07. Wasted Years
08. Can I Play With Madness
09. Seventh Son Of A Seventh Son
10. Flight Of Icarus
11. 2 Minutes To Midnight
12. Where Eagles Dare

Para outras informações acesse o site da Twinkle Twinkle Little Rock Star.

http://www.ttlrs.com/

14/10/2011

O que aconteceu com RAFINHA BASTOS?

Por Marcelo Rubens Paiva

Conheci o cara, meu vizinho, em palcos de stand-up, quando o gênero engatinhava.

Ele dividia bem as tarefas de entreter com DANILO GENTILI, MARCELO MANSFIELD, OSCAR FILHO e outros.

A produção do CQC fez um golaço quando o contratou para a bancada.

Regida pelo meu amigo e experiente MARCELO TAS.

Então, você conhece a cronologia dos eventos.

Estouro no TWITTER, reconhecimento do NYT, DVD entre os mais vendidos, teatros lotados.

Sucesso, ao ponto de ter o próprio teatro, numa Rua Augusta em alta.

E a mão começou a pesar na redação dos seus textos e dos 140 caracteres.

Piadas ofensivas, de mau gosto, rejeitadas amplamente.

O que causou um debate sobre os limites do humor.

Que se lembre, CHAPLIN nunca teve uma piada rejeitada.

Nem IRMÃOS MARX.

Nem 3 PATETAS.

Nem WOODY ALLEN.

Nem MONTY PYTHON.

Nem MILLOR, BARÃO DE ITARARÉ, JUO BANANERE.

Nem GLAUCO, ANGELI, LAERTE, ADÃO.

Nem CHICO ANYSIO.

Nem CASSETA & PLANETA.

Quem faz humor tem noção da fronteira.

RAFINHA perdeu.

Soberba?

Falta de background cultural ou político?

A desculpa da LIBERDADE DE EXPRESSÃO era uma afronta à História.

E o desdém contra o politicamente correto a munição que faltava.

Afastá-lo foi uma saída corajosa da BAND.

Sua conduta manchava o brilho do programa.

Na passeata PELA LIBERDADE, num domingo na Avenida Paulista, ouvi gritarem: “CQC, vai tomar no…” O que me surpreendeu, já que eu imaginava que o programa, com sua ironia política, seu combate à corrupção e descaso público, servisse de exemplo às novas gerações, especialmente aos militantes de causas diversas.

RAFINHA é vítima de uma era em que o meio é da mensagem.

Em que se tuitam as maiores bobagens, sem a censura de uma equipe ou de um editor.

Sem a ajuda de uma hierarquia jornalística, escola com que a maioria dos escritores aprendeu.

Na imprensa escrita, suas derrapadas jamais seriam publicadas.

Como na internet, redes sociais, blogs, somos nossos próprios patrões, cria-se o autor sem editor e controle, sem ética ou manuais de conduta empresarial.

Seu superego é seu dono.

A liberdade da rede pode se tornar danosa aos autores, que não trocam ideias em reuniões de pauta ou redações.

Para ele, a bancada de um programa aio vivo da TV aberta era seu twitter.

E pouco importava a voz da razão e o gosto da audiência.

Na matemática narcisista, quanto mais polêmica, mais seguidores.

Perdeu.

MÔNICA IOZZI foi uma ótima substituta, com sua risada maluca, sua cara distraída, seus olhos esbugalhados.

Além de possibilitar um contra peso às piadas machistas, criar jogo na guerra dos sexos, possibilitar a ironia feminina, abrir campo para o direito de resposta às provocações e cantadas dos colegas.

RAFINHA terá umas férias forçadas para repensar a vida.

E a discussão sobre os limites do humor amadurece

fonte - http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/o-que-aconteceu-com-rafinha-bastos/

Breve homenagem à volta dos carteiros

Rua sem carteiro não é rua.

Mesmo que hoje o mr. Postman me traga mais contas a pagar do que cartas de amor, estava sentindo falta do homem de amarelo na paisagem.

Como esse cara anda. Merecia ganhar uns 5 contos por mês, no mínimo. A maioria ganha abaixo de mil, vê se pode. E o governo concedeu apenas uma miséria depois da greve.

Eis um profissional que merece todo nosso respeito: o sr.carteiro. Sim, tem burocrata dos Correios, alô Brasília, lavando a égua. O nobre carteiro ou o cara do balcão não podem pagar por isso.

A moçada que bota a cara no morro e no asfalto, porém, não ganha o que merece.

Um carteiro sofre. Com os humanos e com os cães a importuná-lo nos países baixos.

Que o diga o querido Henry Chinaski, alterego do velho Charles Bukowski. Aqui no céu como na América.

Falo do livro “Cartas na Rua”, que acabou de chegar às bancas, naquela coleção de bolso, bem mais em conta, da editora L&PM. Recomendo.

Por maior consideração aos homens dos Correios, amigo, os homens que trabalham, que ralam, que vivem o baticum e o lambe-lambe dos selos.

E, por conseguinte, pela volta da carta de amor, minhas queridas.

Tenho sorte de ainda receber esse tipo de missiva. Os carteiros sabem quando conduzem tais mensagens poderosas.

Eles entregam com uma solenidade diferente das contas. Eles notam pela caligrafia. Até o frio número do CEP é escrito com passionalidade, caligrafia deitada do amor e da sorte.

Benvindo às ruas, mr. Postman, e que a nobre missão seja reconhecida um dia de verdade. Com ou sem cães vorazes pelo caminho.

Escrito por Xico Sá às 20h21

07/10/2011

R.I.P.

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Sebos

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
(Drummond)

Sim, senhor, o mundo é grande e não tenho uma janela sobre o mar. Assim, não sei como é nos outros cantos, só sei aqui em Pompéia é quase impossível comprar um livro. O “quase” deve-se à única banca de jornal da cidade, que de vez em quando até traz uns títulos bonzinhos — O Silêncio dos Inocentes, por exemplo, foi comprado lá na Tio Patinhas. Capa dura, tá pensando o que? [Na verdade, eu não faço muita questão de tipo de capa, de papel, esses detalhes. É bonito, admito, um exemplar bem trabalhado, chique no último grau, mas não é indispensável.]

Antes da chegada da Internet eu adquiria livros em catálogos: o da Ediouro vivia marcado com círculos feitos a caneta sobre os escolhidos do mês; às vezes os tais escolhidos eram tantos que tinham de passar por um novo processo de seleção, seguindo um critério misto entre financeiro e por tópico. Foi por isso que o livro sobre mitologia, mais caro, venceu a competição sobre um romance, menos interessante, certa vez.

Mas agora, com a Internet, chega a ser covardia a quantidade de títulos disponíveis — desde clássicos de domínio público para download grátis até mega-livrarias online, passando pelos sebos.

“Sebo tornou-se, no Brasil, apesar de algumas objeções, a forma vulgarizada para designar livraria onde se vendem livros usados e raros. O local pode ser também uma banca de jornal, ou simplesmente, um calçadão, ou ainda um endereço na internet. Para Aurelio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Lingua Portuguesa, Nova Fronteira, segunda edição, 1986, sebo é a livraria onde se vendem livros usados e tem como equivalente, caga-sebo. Raimundo Magalhães Junior, Dicionário de Provérbios e Curiosidades, segunda edição, Cultrix, 1974, designa não o local, mas o vendedor: “caga-sebo era, no século passado, o nome que se dava aos vendedores de livros usados. As livrarias em que são vendidos volumes de segunda mão são ainda, hoje, chamadas sebo, mas os vendedores passaram a ser sebistas…”. Assim, também é a interpretação de Cândido de Figueiredo, Dicionário de Língua Portuguesa, primeira edição, vol. II, Livraria Bertrand, que define sebo como alfarrabista, o mesmo que caga-sebo.

Melquisedec Pastor do Nascimento, nome que se tornou sinônimo de livros usados não só em Pernambuco, como no exterior, não gosta de ser chamado de sebista, por achar que a palavra deprecia a profissão, que para ele é tão nobre. Ele se define como un vendedor de livros usados e alfineta: se fosse para chamar assim, deveria ser “caga-sebo”, (denominação original) pois “sebo” é apenas uma variação, uma questão eufemística, da expressão inicial, lembrando que o professor de literatura de Belo Horizonte, Eduardo Frieiro, preferia a denominação “livro-velheiro” (Diario de Pernambuco, 5-12-87, caderno “Viver”, seção B pag.11, artigo de Terezinha Pasqualotto, “Há 50 anos Melquisedec vê a vida passar entre os seus velhos livros.”).

O nome sebo vem do tempo em que não havia ainda energia elétrica e as pessoas liam à luz de velas amarelentas, sujando e engordurando os livros. Daí veio o termo ensebado, sebento. Trecho extraído do livro “Guia dos sebos do Brasil” com autorização do autor, Jorge Brito. A obra referida é uma guia muito bem planejada dos principais sebos do Brasil, um guia de viagem para a aventura do “seboso” (assim é chamado o cliente do sebo).”
[Fonte:
Sebo Osório ]

De acordo com Jorge Brito, então, descobri que sou uma sebosa! E uma sebosa eletrônica, ainda por cima. Livros difíceis de achar, ou mesmo livros fáceis mas por um preço muito menor do que um novo, são o grande atrativo dessas lojas. Nunca me arrependi de nenhuma compra. [Um único livro me decepcionou, mas foi culpa da editora e não do sebo. Era um trabalho desleixado, cheio de erros de digitação e pontuação e a diagramação torta feito uma carta datilografada numa máquina de escrever que caiu da mesa -- mas era o único exemplar de Três Ratos Cegos disponível...]

Enfim, a distância das boas livrarias já não é mais desculpa para não se ler um bom livro na cama.

Fonte: http://batatatransgenica.wordpress.com/2004/05/19/sebos/