08/01/2011

No no no



O vídeo que tem tudo pra se tornar um novo viral da internet. Logo após o Natal, os pais da pequena Charlotte fizeram algumas perguntas pra ela do tipo: "Você teve um bom Natal? Você ama sua mãe? Você ama o seu pai?". E na ponta da língua, sem titubear, ela tinha uma resposta rápida e prática.

Muito doida...

Foto: Marcos Arcoverde/Agência Estado

Amy Winehouse deixou os seios à mostra durante aparição na sacada do hotel em que está hospedada no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (7).


A cantora está em turnê no Brasil e o primeiro de seus cinco shows será realizado em Florianópolis no próximo sábado (8). Depois, ela vai se apresentar no Rio nos dias 10 e 11, em Recife na quinta-feira (13) e fechará a turnê em São Paulo no sábado (15).

SAMUCA - DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Fuleiragem

07/01/2011

Dia beliche

Do meu irmão Balu.

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Preciso de um dia beliche. Sabe? Aquelas camas montadas uma sobre a outra para aproveitar melhor o espaço. Já falei isso outras vezes, mas nunca foi tão verdadeiro. Preciso de um dia oficial, de 24 horas, na cama de baixo. E outro, extra-oficial, na cama de cima, com 48 horas.

Eu sempre achei a cama de cima melhor, mas como fui sonâmbulo na infância e na adolescência, fiquei proibido de dormir na cama de cima. Uma vez, nas férias, até tentei. Mas caí da cama no meio da noite, para susto dos outros três que dividiam o quarto comigo, em dois beliches.

O dia extra-oficial é o mais divertido, por isso teria que oferecer mais horas. Tempo para ler, para estudar, para escrever, desenhar, pintar, vagabundear (lembrem-se, o ócio é criativo!) e amar. Amar muito, oficialmente, é claro (mas na cama de cima). Quer dizer...

Está aí uma provável incompatibilidade. Peso 130 quilos. A patroa não é leve (falei bonito). Os dois juntos na cama de cima representam um risco potencial para que estiver na cama debaixo. Como na cama inferior estaria o dia oficial, em caso de acidente eu seria acusado de premeditação.

Matar um dia oficial por um extra-oficial de 48 horas não é lá um mau negócio. Mas isso não está em questão no momento. Eu mal tenho tempo no dia oficial para fazer tudo o que preciso. Aliás, estou aqui conjeturado e o relógio segue seu curso circular, implacável. Melhor parar de perder tempo.

É que eu estou em vias de fazer uma besteira em nome da falta de tempo e resolvi dar uma paradinha para ver se consigo acertar alguns ponteiros. Falta disposição, cabeça (e tempo, é evidente) para compatibilizar a vida em família, o trabalho e o estudo.

É comum cortar dentista, médico e estudo na hora do aperto em países subdesenvolvidos (o eufemismo é “em desenvolvimento”). Agi automaticamente: “melhor parar de estudar” (isso é a minha cabeça da cama debaixo pensando).

Mas como desfruto de uma certa mordomia em uma cama de cima virtual, histórica e eventualmente disponível (não pensem que sou louco, essa é uma das vantagens de quem é multimídia) parei de pensar no axioma contas-menos-tempo-mais-afazeres-mais-cansaço e fui ler alguns textos teóricos.

Desculpem, não é arrogância. Estou na fase de caldeira intelectual (politicamente incorreto, porque faço uma fumaça daquelas...). Estudo, pois preciso de muitos neurônios para avançar milímetros em meus recordes olímpicos. Não avancei nenhum milímetro, é bom destacar. Mas continuo tentando.

Bom, a questão é que continuo em dúvida. Paro ou não paro de estudar?

Eu até já havia decidido parar. E, metaforicamente, estava ajoelhado diante de meu testamento, pronto para o seppuku (harakiri), fora de mim, já naquela esfera superior de quem está partindo, quando tocou o meu telefone e era a minha orientadora, danada da vida. “você não pode parar; isso é um absurdo; e patati e patatá...”

Para ela é fácil dizer. Afinal, consegue compatibilizar o trabalho de professora em escola pública, com a coordenação do curso de pós-graduação (quatro turmas), atuar como orientadora de alguns loucos como eu e estudar para doutorado (é doutoranda em fase de produção da tese). Além disso, tem tempo para dançar, ir a shows, correr, chacoalhar, nadar e, coitada, torcer para o Corinthians.

Não tenho dúvida nenhuma que ela já encontrou a fórmula para o beliche das tarefas diárias. Suspeito, até, que tenha um triliche (quem sabe quadri). E também sei que ela não desiste fácil.

Por isso, vou ficar por aqui a matutar como fazer para:

a) fugir dela

b) fugir de mim mesmo

c) alinhar as agendas e seguir tocando o barco.

Na próxima crônica informo o que aconteceu.

Enquanto isso na Paraíba

Só fuleiragem

06/01/2011

Pedaços de Mim…

Publicado em agosto 11, 2005 por Nora Borges

A sala estava cheia de caixas de papelão, etiquetas e rotuladores de cores variadas…

Enquanto eu desfazia as estantes de livros e tentava não pensar que teria que separar-me deles, a minha vida ia passando diante dos olhos como um filme antigo, em preto e branco…

Olhava o livro, lembrava onde o tinha comprado, em que época havia lido, que sentimentos havia despertado em mim. Alguns iam direito para uma das caixas. Poucos, devo admitir. Outros, muitos, ficavam ali na mão, pedindo para serem abertos, relidos, mostrando as notas feitas a lápis nas margens de algumas páginas, reagindo a serem trancados entre quatro paredes de papelão por um tempo indeterminado.

Um sofrimento!

Eu já sabia que não poderia levá-los comigo, pelo menos de imediato.

Mas onde guardá-los?

Pensei nele. Um dos meus irmãos que adora ler. Mas os livros em sua casa, depois de lidos (apenas por ele), eram objetos sem categoria.

Perdiam qualquer batalha por algum status na família. Ficavam guardados numa antiga e fria despensa, misturados com trastes velhos.

Sua esposa adorava que as estantes de sua sala fossem super-clean. No máximo uns pequenos objetos decorativos de vidro transparente, um ou outro vaso com arranjos de flores secas, belos candelabros. E só.

- Livros? Na sala? Nem pensar! Dizia que cheiravam a papel velho e guardavam toda a poeira do mundo.

Pois então… os maravilhosos livros de meu irmão dormiam na gélida despensa mesmo. E digo dormiam porque sequer estavam dignamente em pé, com o lomo aparecendo. Jaziam deitados. Todos. E de frente.

Irreconhecíveis!

Por cima de seus corpos, um sem número de objetos: sapatos velhos, cabides quebrados, bacias furadas, espanadores rotos, sacos plásticos vazios… “Pedacinhos de morte”, como diria Cortázar.

Para lá eu não mandaria um só dos meus queridos pedaços de vida…
Escolhi apenas os didáticos que pudessem ajudar seus filhos nos exames de vestibular. Esses sim… estariam espalhados pelos quartos dos meninos, até que não fossem mais tão úteis e acabassem no Cemitério dos Esquecidos. A terrível e bolorosa despensa-trasteiro-biblioteca.

Separei também Obras Completas de Freud, que ele pediu-me com os olhos brilhantes, mas só com a promessa de que ficassem na prateleira do quarto de um de seus filhos, se esse concordasse. Não podia sequer imaginar que Totem e Tabu ou a Interpretação dos Sonhos fossem enterrados naquele monte de tranqueiras!

Bueno, pensei em meu outro irmão. O Pescador de Ilusões.(Um dia eu explico esse apelido.) Essa criatura nunca leu um livro inteiro. Mentira minha. Leu sim. Um. O Alquimista…

Suas estantes são cheias de troféus de pesca, cinzeiros e estatuetas horríveis. Mas ele as adora!

Bueno, não custava tentar.

Suspirei quando ele disse que não tinha espaço para guardar meus livros. Eu já sabia… suspirei nem sei por que.

Depois de trocar mil vezes de opinião sobre o que fazer com eles, revendo preços das companhias aéreas, navios, correios, passando inclusive pela encantadora idéia de tirar tudo das malas e transformá-las numa biblioteca ambulante (as roupas são perfeitamente compráveis em qualquer parte do mundo) e descobrindo que o peso das pobres coitadas quadruplicava sem resolver a questão, – cabiam tão poucos! – voltei às caixas. Separei tudo de novo e criei categorias para eles. Categorias afetivas, diga-se de passagem! Deixei tudo ali, no meio da sala, até conseguir pensar com calma. Tarefa difícil naqueles dias.

Ainda tinha que saber o que fazer com as cartas, bilhetes, fotografias… Antes sabia que podia contar com a cumplicidade e discrição da Princesa.

Mas… agora que ela não vivia mais, como deixar minha vida assim, por escrito, nas mãos de outro alguém que não fosse ela??!

Meu coração parava quando olhava para o armário e via a enorme caixa de cartas…cópias das enviadas junto com as recebidas, no mesmo envelope. Maços e maços envolvidos em fitas. Meus sentimentos escancarados, escritos em épocas distintas para os personagens importantes de meu passado… Mas esse capítulo merece um post a parte.

Concentrei-me nos livros. Tinha que encontrar uma saída.

Finalmente tive uma idéia fantástica! Chamei uma amiga querida (ela, aquela que rondava minha porta nos dias de escuridão) e fiz uma proposta semi-indecente. Ela ficaria com meus livros mais queridos (muitos) em sua casa e em lugar de honra (por favor!) e assim que eu pudesse iria buscá-los, pouco à pouco. O resto eu deixaria com o Pescador de Ilusões, mesmo sabendo que seriam abandonados nas prateleiras do quarto de serviço. Um lugar arejado, pelo menos! Seriam resgatados assim que eu pudesse.

Pois sim…ela disse sim. Mas não poderia quitá-los das caixas. Ainda não tinha casa. Receberia seu apartamento em alguns meses, mas não poderia mobiliá-lo até que pagasse as últimas prestações. E não sabia quando poderia viver nele.

Foi aí que minha idéia cresceu. Ofereci-me para mobiliar sua casa. E emprestei tudo o que estava destinado a um depósito: lavadora de roupas, geladeira, fogão, micro-ondas, televisão, cama de casal e solteiro, mesinhas, luminárias, condicionador de ar, estantes, objetos de cozinha, etc… e livros. Muitos e deliciosos livros. Sabia que estaria tudo muito bem cuidado. E vivo! Respirando, fazendo parte do seu cotidiano.

Que mais precisa uma pessoa para começar a vida num apartamento novo e sozinha?

Sim, sei. Música. Isso ela já tinha, ainda bem.

Seus olhos faiscavam de alegria. Já podia contar com a casa montada!
Agradeceu-me contentíssima! Que graça! Ela me faz o favor e ainda agradece!?

Disse-lhe então que eu deixaria com ela só mais uma coisinha. Grande, mas que não ocupava espaço: toda a minha gratidão. Na verdade, nossa. Pois creio que os livros também agradecem a vida que estão levando…

Soube que está lendo como nunca… e sorrio feliz com a notícia!

03/01/2011

O MAIOR LIVREIRO DO BRASIL

 

Hoje papai faz 90 (!) anos. Precisava fazer uma homenagem a ele em tão importante momento. Pesquisando na net (sempre nela) descobri uma entrevista feita em 1997 para o fanzine Pipoca Moderna, que Clóvis Campêlo publicou em seu blog.

Detalhe ao fundo da foto de uma caricatura de Melqui feita por Marianne Peretti (1927), artista plástica francesa, nascida em Paris, de mãe francesa e pai pernambucano, que vive no Brasil desde 1953, quando se mudou para São Paulo. A entrevista está abaixo.

 

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“Quem com ele troca idéias e palavras, fica com a certeza de que se trata de uma pessoa racional e atenta aos conceitos do mundo moderno. Para consolidar essa impressão, define-se como "um homem de esquerda", que cita Marx e Lennin nas suas falações.

No seu box, na Praça do Sebo, porém, mantém um eclético santuário onde convivem, em perfeita harmonia, as imagens de Padre Cícero, N. Sª. Aparecida, Exu Tranca-Rua, Pomba-Gira e do Cabloco Pena Branca, entre outros. Um pouco de fé mística, afinal, não faz mal a ninguém.
Grande conhecer da música brasileira das décadas de 40 e 50, também navega com certa desenvoltura pelas águas da Bossa Nova e do Tropicalismo. Em relação à música pernambucana, prefere Nélson Ferreira à Capiba e faz críticas moderadas ao Movimento Mangue, sem nenhum xenofobismo, "pelo excesso de anglicismos".

Crítico pertinaz da falta de sensibilidade dos orgãos oficiais de cultura, está sempre cercado de bonitas secretárias e ultimamente adotou a fotografia como passatempo.

Foi com essa figura ímpar, chamada Melquisedec Pastor do Nascimento, o maior livreiro do Brasil, que iniciamos uma série de depoimentos ao Pipoca Moderna (Clóvis Campêlo).

A ORIGEM
"Sou recifense, nascido dentro dos mangues do bairro dos Afogados, no dia 3 de janeiro de 1921. Minha instrução começou numa Escola Particular Mixta, onde me desasnei aprendendo a ler na Carta de ABC de Landelino Rocha. Eis aí todo o meu currículo escolar. Extremamente pobre, minha mãe, que me criou sozinha, dizia: "Entre estudar e trabalhar, não podendo fazer os dois, trabalhe-se!". Passei a trabalhar e a estudar na escola da vida".

A PROFISSÃO
"Habituei-me a ler lendo folhetos de feira, almanaques de farmácia e jornais, estes motivado pelo retrato da vítima. Depois revistas, depois livros. A curiosidade por esses, levou-me ao sebo do negro Manoel Berlamino da Silva, o qual me iniciou na profissão, levando-me a vir a ser o maior livreiro do Brasil. O meu reconhecimento da importância do comércio de livros usados e a minha dedicação a ele, deram-me esse laurel. Considero minha profissão a mais digna de todas as profissões".

OS PROBLEMAS
"Os poderes públicos têm coisas mais nobres com que se preocuparem... Os sebistas do Recife transbordaram da Praça do Sebo e espalharam-se pelo centro da cidade, vivendo como Deus é servido... Como sebistas, alfarrabistas, antiquários ou libervelheiros o que é positivo é dignamente semear livros. Efetivamente, apenas o Dr. Gustavo Krause foi sensível ao comércio de livros usados aqui no Recife, agrupando os sebistas no Mercado de Livros Usados. Os poderes públicos não são sensíveis à problemática da educação, sequer..."

IDEOLOGIA
Sensível à questão social desumana, tornei-me um homem de esquerda, a única pauta para julgar a conduta humana, verificar se contribue ou se opõe à causa do socialismo".

A SITUAÇÃO DO PAÍS
"A situação política e cultural do país despenca e não vejo nada que esteja se fazendo para ampará-la. A solução seria criar escolas primárias para oferecer instruções sobre patriotismo. E que os dirigentes criassem vergonha na cara."

A PRAÇA DO SEBO
"A Praça do Sebo ou corretamente o Mercado de Livros Usados do Recife, foi o movimento mais promissor para a cultura que se fez nesta cidade. Reuniu-se em local digno sebistas precariamente instalados aqui e ali. Eram pequenos comerciantes que, mais ou menos, contribuíam para a continuação desse comércio, então um tanto estagnado. Contamos com a iniciativa e o apoio de Liêdo Maranhão, Francisco Balthar Peixoto, Paulo Roberto de Barros e Silva e Edson Wanderley, entre outros, simpáticos a esse comércio cultural. O então prefeito Gustavo Krause determinou a construção. Foi feito um convênio entre os sebistas e a Prefeitura. Infelizmente as administrações Jarbas Vasconcelos encarregaram-se de não cumpri-lo. Hoje, a situação da Praça do Sebo é deprimente para a educação e a cultura recifenses. A solução seria a Prefeitura cumprir as exigências que lhe impõe o convênio estabelecido por ela mesmo para o funcionamento do Mercado de Livros Usados do Recife".

MENSAGEM FINAL
"Para finalizar, uma mensagem aos leitores pipoqueiros: é preciso ler, é preciso ir aos sebos, santuários de raridades bibliográficas a preço de sebo. Além do mais, é preciso entender que o conceito ideal de cultura é personalizar o indivíduo, desenvolver o raciocínio e a imaginação. Integrá-lo na educação e na cultura, refinar-lhe o espírito. Prepará-lo para a vida".

Clóvis Campêlo
Recife, 1997